Priscila Magalhães Palmeira.

Priscila Magalhães Palmeira.

        Eu estava pensando em meus projetos e em minha vida literária e, tudo que Deus está me proporcionando neste caminho, quando resolvi viajar pelos sonhos e poemas de meus confrades. Como faço todos os dias eu estava lendo alguns artigos, textos e poemas de meus amigos escritores espalhados pelo mundo. Para meu prazer literário, não foi preciso viajar pelos sonhos de terras longínquas para achar um trabalho atraente com alto valor cultural.

        Pois o nosso país esta cheio de grandes nomes, alguns conhecidos, e outros, se ainda não estouraram em suas publicações, falta muito pouco para acontecer.

        E com seu nome fortificando em nosso meio, com textos e romances bem elaborados, trago um pouco do trabalho desta escritora que para mim é completa. Romancista e poetisa.

        Aos amigos tenho o carinho de apresentar um pouco o trabalho de minha amiga escritora Priscila Magalhães Palmeira, de São Paulo.

Leandro Campos Alves.

 

Saudade

A saudade é como o espinho
da mais suave e bela flor
Seu perfume é delicado
mas seu espinho causa dor

Saudade é carinho
dado pelo amor.
Chaga de mansinho
enche o peito de ardor

Saudade é deserto
lembranças, uma miragem
um desejo de estar perto
uma rápida passagem

Saudade, vozes ao vento
distanciando-se lentamente
Assovio de um momento
Que aperta o coração da gente.

Priscila Magalhães Palmeira

Pés descalços

Teus pés descalços no frio chão
imundos como foi pra tia a vida
nos peitos que não brotaram coração
nas calças onde encontraste a lida

Suas roupas sobre o corpo, sujas
Teu corpo sujo, faminto
Teus olhos, vazios pelas ruas
Vagos como andas tua vida

Suas noites frias na calçadas
onde pisam pés durante o dia
Sem saberem, sem ser amada
Uma criança dorme em  noite fria.

Priscila Magalhães Palmeira

Fonte: poesiapriepri.blogspot.com.br/

 

Caçadoras - O Vale da morte

 

        Djiu está, lentamente, comendo uma maçã em cima de uma frondosa e muito, muito grande macieira de frutas tão vermelhas e maduras quanto suculentas e saborosas. Passa do meio dia, talvez sejam três horas da tarde. Espera, há pelo menos uma hora, sentada, naquele galho lá em cima, com as nádegas dormentes e as pernas esticadas, cruzadas com um tornozelo sobre o outro. Ela só vai sair quando o sol estiver se pondo. Eles sempre saem nesta hora porque preferem a escuridão. Desta vez, Djiu está sozinha, mas não com medo, pois fizera isso diversas vezes e é como atirar em pombos.

        Cuspiu um caroço para longe, acompanhando, com os negros olhos, o trajeto para baixo na queda até o chão. Nenhuma novidade além do tédio até ouvir um murmúrio como a água correndo no córrego quase ao pé da macieira. Omurmúrio foi crescendo como vozes cochichando alguma coisa incompreensível.  Estaria despertando?

        Tirando uma flecha da aljava de couro marrom, que trazia atrás das costas, colocou-a no arco de ferro com a corda na tensão máxima, segurando a flecha entre o dedo médio e o indicador. A flecha, com ponta explosiva muito compacta e revestida de prata, se estilhaça, quando em contato com o alvo, causando um ferimento terrível, corroendo toda a carne numa extensão de dez centímetros antes que a vítima possa sentir o impacto. Normalmente, preferia a automática com vinte e quatro flechas, mas a precisão não era confiável tanto quanto a que Djiu forjou, ela mesma, na forja do celeiro de seu pai, quando ele morreu mordido por uma dessas coisas que estava prestes a matar agora.

        Não teve chance de reagir. Foi pego de surpresa e Djiu chegou tarde demais para salvá-lo, quando ouviu o barulho vindo de trás da casa. Ele não implorou, não gritou nem teve medo em seus olhos quando Djiu chegou perto dele. Ainda segurava o machado em suas mãos quando a viu sobre seu pai, caninos muito grandes e arqueados para dentro como os de uma víbora e uma boca arreganhada e ameaçadora quando Djiu se aproximou; não teve tempo para pensar.Em segundo,o machado voou de sua mão trêmula pelo nervosismo. Foi a primeira vez que ela errou o alvo. A bruxa caiu para trás e seu braço caiu para o lado, debatendo-se como cobra com seus dedos nodosos e unhas escuras, jorrando sangue negro pelo ferimento perto do que tinha sido um ombro.

        Ela não ficou, correu por entre as árvores feito um cão acuado, mas não parou. Djiu também não foi atrás dela, correu até seu pai, colocou a cabeça dele em seu colo enquanto pressionava a mordida no pescoço dele.

        – Por favor, não morra pai – disse ela, que era, então, uma jovem de dezesseis anos e não tinha mais ninguém.

        Segurando firme em sua mão, ele lhe sorriu: – Minha garotinha. – As forças se esvaíam dele rapidamente e ela sabia que iria perdê-lo. – Agora é com você.

        – Por favor, pai – ela não queria mostrar fraqueza, mas não conseguia segurar as lágrimas que desciam quentes por seus olhos. De repente, sentiu um peso sobre osombros. Não era mais uma menina adolescente brincando de caçar bruxas com o pai, mas uma mulher sozinha nesse mundo cheio de criaturas maléficas. Quando o pai fechou os olhos, Djiu sabia o que tinha de ser feito e não titubeou, pegou a faca da cinta dele, a mesma que carregava agora, e a enfiou fundo no coração dele. Preferia ela mesma ter de fazer isso a vê-lo transformado numa daquelas aberrações.

        Agora o som cessara, mas a noite ainda demoraria ao menos duas horas para chegar. Ali, em Sighisoara, escurecia cedo, mas faltava algum tempo para isso. Silenciando novamente, a casa permanecia escura lá dentro. Angelina e Petra a deixaram cuidar desse serviço sozinha, pois sabiam que ela podia dar conta, enquanto foram cuidar de outro assunto um pouco mais complicado, na Romênia, onde deveriam se encontrar depois.

        – Vamos lá querida.Estou ficando com câimbra na bunda de tanto esperar – disse impaciente Djiu observando o sol indo em direção das montanhas  láatrás. Um espetáculo bonito, pensou, olhando asua volta. Uma bela fazenda com árvores de todas as espécies elevava-se muito alto, as folhas bailavamno ar, enquanto caíam lentamente, as cores marrom-alaranjadas forçavampor colorir as folhas que restavam, como a pintura de um quadro onde a tinta escorre e não se divisa se foi a mão do pintor que errara ou que compôs aquele detalhe. As poucas nuvens amareladas num céu azul cianótico de fim de tarde diziam que o frio viria em breve, e o vento confirmava isso.

        No entanto, como uma nódoa num espelho límpido, a velha casa, precisando de um trato há algum tempo, manchava e denegria, quase que como uma blasfêmia, aquela paisagem exuberante. Não havia outra casa por onde se estendesse a vista, o queera um belo lugar para uma bruxa vampira se esconder sem que ninguém desconfiasse de sua presença nas redondezas,mas ela sempre saberia onde os encontrar.

        O povo da pequena aldeia de Sighisoara, Transilvânia, estava em polvorosa desde que o corpo da primeira criança desaparecida foi encontrado, seco como uma mosca descartada por uma aranha, após ter tido sua seiva sugada. Sete crianças, depois dessa,foram encontradas no leito do mesmo rio, sobre as folhagens úmidas e verdejantes.

        Logo ela despertaria. A casa, caindo aos pedaços, tinha dois andares, e apenas as janelas do segundo andar estavam inteiras, embora tão sujas quanto um córrego de lodo. Os telhados estavam decompostos e nas beiradas havia muitas falhas. Uma chaminé quase destruída estava do lado esquerdo da casa e na ponta, já quase completamente destelhada, havia um pequeno pentagrama de ferro, quase corroído pela ferrugem.

 

         Saudade

 

A saudade é como o espinho
da mais suave e bela flor
Seu perfume é delicado
mas seu espinho causa dor

Saudade é carinho
dado pelo amor.
Chaga de mansinho
enche o peito de ardor

Saudade é deserto
lembranças, uma miragem
um desejo de estar perto
uma rápida passagem

Saudade, vozes ao vento
distanciando-se lentamente
Assovio de um momento
Que aperta o coração da gente



 

 

Priscila Magalhães Palmeira

Fonte: cacadoraspris.blogspot.com.br/

 

 

         

 

 

 

            Convido a todos a conhecerem mais de seus trabalhos através do wattpad,www.wattpad.com/story/29013558-caçadoras-o-vale-da-morte,  a todos nossos amigos nós desejamos boa leitura e fiquem com Deus.

 

Textos acima faz parte do blog “Amor no éter” e, "cacadoraspris.blogspot".

 

Todos direitos estão reservados ao Blog e, a Escritora Priscila Magalhães Palmeira, conforme artigo (Lei 9610/98).

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