Nostalgia.

Nostalgia.

foto pixabay dominio publico

 

Nostalgia

 

    Hoje sinto Saudades...

    A nostalgia tomou conta de mim, ao olhar uma criança inocentemente brincando na rua, correndo de um lado para o outro ao redor da bicicleta de seu amiguinho.

    Esta criança me arremeteu aos meus quatro anos ou pouco mais.

    O menino peralta e obediente corria com os passinhos curtos da liberdade me dando a certeza de que ele estava com os passos do aprender a correr.

    Em sua alegria e perseguição a bicicleta de seu amigo, o menino era supervisionado por sua avó.

    Minhas lágrimas rolaram a minha face queimada pelo sol e pelo tempo, e meu coração ficou pequeno diante da saudade e das lembranças.

    Voltei na lembrança da minha infância.

    Saudades do tempo que nada tinha que preocupar ou pensar, onde a única obrigação era acordar cedo para brincar e comer.

    Saudades do tempo que ficou pra trás.

    Lembro-me do amanhecer de meus sonhos, despertados pelo beijo materno e o aroma do café quentinho vindo da cozinha.

    A que café...

    Pão com manteiga natural e café com leite, até do leite que pouco gostava hoje me deu saudades.

    Após o café eu corria para o quintal, meu quintal de alegrias, meu parque encantado de diversão.

    Naquela época lembro-me de meus pais ainda jovens que lutavam para vencerem, e traziam o amor aos filhos com afago e beijos.

    Saudades que me aperta o peito e me leva à infância.

    Infância que eu e meus irmãos ficávamos protegidos do mundo, e vivíamos no mundo da infância, no mundo encantado de nossas imaginações.      Não precisávamos de muito para viajar em nossas brincadeiras.

    Uma batata e quatro palitos viravam vacas e boizinhos.

    Uma lata de sardinha vazia virava um belo caminhão trucado, e porque não nos lembrarmos da lata de “tomate elefante”, que depois de descartada por nossa mãe, virava uma bola de futebol, coitado de nossos dedos e calçados!...

    A saudade que me embriaga na solidão da noite...

    Com frutos de café, tínhamos ovelhas e carneiros, todos coloridos e de tamanhos diversos. Cada um tinha sua fazenda, e aquela lata de sardinha virava um caminhão de boi, que carregava nossas criações de uma fazendinha a outra.

    Mas as distâncias de nossas fazendas eram longas, na mesma proporção de nossos sonhos.

    Lembro-me do caminhãozinho de sardinha viajando pelas estradas no terreiro de terra, ou subindo nas mesmas feitas no barranco que ficava ao fundo de nosso quintal.

    Éramos belos construtores e engenheiros dos sonhos.

    A que saudades...

    Naquela época eu sentia o aroma da juventude de meus pais.

    Imagina, hoje não sinto nem mesmo o aroma de minha própria juventude!...

    O passado nos deixou suas marcas, e minha infância apenas as lembranças.

    Ah! Se eu pudesse parar o tempo naquela época e eternizar minha infância.

    Parar o tempo no exato momento em que estaríamos protegidos debaixo das asas de nossos pais, e sentindo o abraço amigo e protetor de meus irmãos.

    Quantas saudades, que ternura!

    Uma simples criança fez nascer a lembrança que há tempos estava escondido em meus pensamentos.

    Hoje não posso dizer que os sentimentos fraternos da infância acabaram com a maturidade, sei que os sentimentos existem, porém tenho a certeza também que o passado enterrou na nossa infância a inocência de nosso mundo colorido.

    Ah! Maturidade maldita...

    Ah! Maturidade cruel...

    Maturidade que acabou com nossos sonhos e projetos.

    Maturidade que mata o tempo e faz nossa vida passar, sem mesmo vê-la chegar.

    Ah! Saudade!

    “Saudade do colo de mãe”.

    “Saudade do abraço de pai”.

    “Saudade de sentir o calor fraterno nas noites frias de inverno, todos debaixo do mesmo cobertor, comendo pipoca e vendo tevê”.

    Saudades...

    Saudades de embrearmos naquele mundo que hoje não existe mais...

    Saudade de brincar com aquele menino que me trouxe estas lembranças, como se tivesse sua idade.

    Simplesmente Saudade...

 

 

Leandro Campos Alves

21/08/2014

Obrigado aos meus amigos leitores pela visita, e fiquem com Deus.

 

 
Número de páginas: 103 

Edição: 1(2015) 

Formato: A5 148x210 

Coloração: Preto e branco 

Acabamento: Brochura c/ orelha 

Tipo de papel: Offset 90g
 

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