Louco Carrossel, por Leandro Campos Alves.

Louco Carrossel, por Leandro Campos Alves.

Louco Carrossel.

 

 

A vida é como um carrossel.

Louco carrossel.

 

Com o nosso nascimento adquirimos direito ao seu passe.

Embarcamos neste brinquedo com o nosso primeiro choro.

E na roda da vida,                                      

aprendemos amar, alimentar e caminhar neste labirinto do destino.

Mas algumas vezes o caminho nos surpreende.

Como em um blecaute, o carrossel ameaça algumas vezes a parar,                                                  

porém em outras voltas seguintes, ele se põe rapidamente a girar.

 

Carrossel da vida.

Louco carrossel.

 

Algumas pedras em seu caminho, o faz trepidar.

Deixando-nos cambaleando em seu lombo, como se fôssemos cair.

Mas com desejo pela vida, seguramos firmes no destino,                                                                         

e como crianças esperançosas deste carrossel nós não queremos apear.

Da morte sempre tentamos escapar.

 

As voltas podem ser longas, como nossas lembranças do passado.

Mas podem andar rápido demais, como nossos momentos de felicidades.

Mas quem diria?

Somos deste carrossel, meros passageiros, construindo nossa história.

 

A idade nos bate à porta.

Amadurecemos e envelhecemos.

Mas o carrossel ainda se põe a girar.

 

Carrossel da vida.

Louco carrossel.

 

Ontem ainda era uma criança vivendo num mundo de utopias e alegrias,                                      

as utopias quase não existem mais.

Mas quem diria?

Ainda sentimos a tal alegria.

 

Um dia sei que o carrossel irá parar,                                                                                               

talvez por uma quebra repentina, que poderá ceifar a nossa vida prematuramente.

Ou quem sabe pela longevidade de nossa própria idade.

Que o fará girar até seu envelhecimento,                                                                               

deixando-o parar lentamente.

Que mal lubrificado seu ruído anuncia o suspiro de sua despedida,                                              

levando consigo a nossa humilde vida.

 

Carrossel da vida.

Louco carrossel.

 

Quero em sua sela, deixar a minha história.

Mesmo que seja por minha humilde oratória.

Ou através dos amigos e familiares.

Que contarão nossa história de vida,                                                                                            

mesmo que ela não seja tão comprida.

 

Carrossel da vida.

Louco Carrossel.

 

Em seu lombo ainda queremos ficar,                                                                                                          

viver e muito amar.

Por isso a todos vamos saudar.

Abraçar e admirar.

Procurando no destino da vida,                                                                                                                

o nosso lugar encontrar.

Antes que a dama da noite chegue,                                                                                                                               

e não nos deixe mais sonhar.

 

Carrossel da Vida.

Louco carrossel.

 

 

        Como neste carrossel da vida, lembro-me de um menino que eu conheci em minha juventude, que encaixa bem neste texto.

        Na minha juventude em plena sala de aula vivenciei um diálogo alterado de um professor, afirmando que o jovem amigo tinha que viver entre os índios, pois se nem falar ele sabia direito, quem diria escrever alguma coisa?

        O professor ainda fez questão de completar falando que lugar de quem não escreve certo é em aldeia indígena, pois lá todos são analfabetos mesmo e praticamente selvagens.

        Aquele diálogo deixou em um silêncio profundo toda sala de aula, senti vergonha ao vivenciar aquela situação em plena adolescência. Período este de nossas vidas que se desponta a vaidade e namoricos desta idade.

        O queimor em meu rosto por aquela situação era grande, mas como o carrossel, a vida tinha continuar.

        Aquele jovem amigo tinha as suas dificuldades, não por desleixo, mas por um presente do destino que deixou à porta a tal de dislexia.

        O tempo passou, o jovem se fez homem feito, e pela ironia do destino, o carrossel da vida novamente lhe presenteou.

        Ontem sentenciado a passar a vida entre índios e andarilhos da vida, na volta deste carrossel do destino, as palavras brotaram em sua vida, os textos tomaram formas e dissertações respeitáveis, e hoje, vinte poucos anos após, quem poderia afirmar não ser o destino irônico?

        A sentença foi quebrada, e este jovem amigo abençoado por Deus, encontrou em sua vida o caminho menos provável para escrever a sua história, e quebrar paradigmas.

        Ele se transformou em escritor com obras publicadas, conhecido no meio literário,  respeitado por acadêmicos e leitores do país e de alguns países latinos americanos.  Sua ascensão firme e constante, baseada na lealdade e na amizade.

 

Carrossel da vida.

Louco carrossel.

 

        Este jovem senhor, que Deus me deu a prazer de seu convívio, me mostrou que nada se faz impossível diante das dificuldades e dos sonhos. Vale apena sonhar e lutar por aquilo que acreditamos.

        A história verídica nos mostra que a vida realmente é um carrossel, e o destino somos nós que construímos.

 

        Carrossel da vida.

        Louco Carrossel.

 

Leandro Campos Alves.

 
 

Obrigado aos meus amigos leitores pela visita, e fiquem com Deus.

 

 
 
 
Número de páginas: 103 

Edição: 1(2015) 

Formato: A5 148x210 

Coloração: Preto e branco 

Acabamento: Brochura c/ orelha 

Tipo de papel: Offset 90g
 


 

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