Laércio Tadeu Januário

Laércio Tadeu Januário

O mundo chamado Família.

 

        Neste louco mundo chamado Vida, somos nela lançados através do amor de nossos pais, esta concepção é apenas o início.

        Somos apresentados ao mundo através de uma tapa amigo do médico ou parteira, o primeiro choro, o primeiro cheiro, a primeira amamentação.

        Nascem os primeiros amigos, colegas e namoros.

        Conhecemos nossos primos, tios, avós e familiares, que durante toda nossa vida estarão ali, perto mesmo distante.

        Com a magia da vida, conhecemos pessoas que são mais que amigos, que mesmo sem termos o laço sanguíneo parental, o destino vai moldando-lhes pela saudade, carinho e amizade. Logo descobrimos que realmente eles são mais que amigos, são verdadeiros tios, primos, irmãos que a vida nos apresentou e presenteou-nos.

        Tão forte como o laço sanguíneo, nossa relação se torna espiritual, verdadeira, sólida, que nem mesmo a distância pode enfraquece-las ou destruí-las.

        Assim é a construção da nossa história; no seio de nossa família biológica nascemos, nossos amigos vem e aumentam, agregam, e somam nossos entes queridos, construindo assim laços fortes de relações espirituais e de amizade, que nem mesmo o tempo ou a distância apaga.

        Esta é a nossa vida, esta é a nossa família, esta é a história que deixaremos escrito neste mundo chamado de Terra.

 

        Com esta crônica quero apresentar um deste amigos que não são bem amigos, e sim, verdadeiros irmãos que Deus e o destino nos presenteou.

        Conheçam a crônica de Laércio Tadeu Januário de Santo André, São Paulo.

Leandro Campos Alves

Dezembro de 2016

 

 

 

A ROLHA

Por Laércio Tadeu Januário

 

        Dezembro de 1966 e muito calor em nossa Paranapiacaba. Era véspera de Natal e eu e meu primo estávamos no auge de nossos dezoito anos. Eu aguardava com ansiedade a chegada do Natal e do Ano Novo, as grandes festas de fim de ano. Para mim era uma emoção indescritível a abertura da nossa cesta de natal e a alegria contagiante de tios e primos na comemoração que fazíamos na casa de minha avó Alzira.

        Deus nos concedeu um domingo ensolarado, e eu e esse primo, sem ter combinado nada, fizemos uma extravagância sem precedentes. Compramos uma garrafa de champanhe e fomos caminhando por uma estrada de terra que vai de Paranapiacaba a Campo Grande, até chegarmos a um ponto conhecido como sítio do João Dias, local do qual tínhamos agradáveis lembranças de caçadas e pescarias realizadas em nossa infância.

        Acomodados entre árvores e gramados fomos bebericando nosso champanhe e conversando longamente sobre futebol, cinema, namoricos e principalmente, sobre sonhos, que era o combustível que movia nossas vidas em uma Paranapiacaba bucólica, aconchegante e feliz.

        Ao final de nossa doce e inocente aventura, deixamos a garrafa vazia no leito do rio transparente. A rolha foi cortada ao meio e em cada metade escrevemos a data 12/66. Cada um ficou com a sua metade como um tesouro, prometendo guardá-la como lembrança de um domingo ingenuamente feliz.

        O tempo passou e nunca mais falamos sobre esse assunto. A nossa convivência diminuiu em razão da vida agitada, mas nossa amizade perdurou, incluindo também as famílias que constituímos.

        Recentemente, já do alto dos nossos sessenta e tantos anos, combinamos uma reunião para um churrasco na casa desse primo, juntamente com nossas esposas e filhos. Lembrei-me então do fato ocorrido há tantos e tantos anos e antes de sair de minha casa fui procurar em meus guardados aquela metade de rolha que nunca tive coragem de deitar fora. Encontrei-a em uma caixa junto com outras preciosidades amareladas pelo tempo.

        O dia e a reunião transcorreram muito agradáveis e ao término de nosso encontro, no momento das despedidas, tirei do bolso o meu tesouro e perguntei ao meu primo se ele se lembrava daquele episódio de tantos anos atrás. Ele sorriu, pediu licença, e após alguns instantes retornou com a outra metade da rolha.

        Depois de aproximadamente 50 anos as duas metades da rolha foram novamente juntadas. O abraço carinhoso de dois primos/irmãos, saiu espontâneo, sem nenhuma tentativa de esconder a emoção.

 

A Rolha:

Por Laércio Tadeu Januário

 

Todos os direitos são reservados a autor, conforme artigo (lei 9.610/98)

 

Poemas, crônicas e textos de diversos Autores.

LIBERDADE I

  Liberdade É meu espaço, Meu esforço para ser eu, Neste mundo tão incerto, Quem sou eu, Quem é você? Busco  resposta nos sonhos, Nas minhas lembranças. Eu, sou eu, em mim. Meu espaço é limitado. Quem limita? Eu não sei. Aparências, regras, títulos... Emblemas que nos pesam. Chega, estou...

Mulher suicídio na ponte de Niterói hoje, 11 de fevereiro de 2019

Foto apenas ilustrativa.       Hoje 11/02/2019 uma mulher jovem (entre 22 a 25 anos) a ponto de pular da ponte localizada no RJ, divisa de São Gonçalo e Niterói a polícia estava aí, bombeiros, psicólogos, mas ninguém se aproximava por medo de que ela saltasse, nisso um...

Rosa Céu

II EVENTO "IMAGEM QUE INSPIRA" Título: PINCELADAS DE BELEZA Autora: Rosa Céu País: PORTUGAL     PINCELADAS DE BELEZA   Não conto as vezes que olho a natureza! E no deslumbramento por tão belas cores Passo à branca tela, pinceladas de beleza… Fazendo esquecer demais minhas...

Karina Aldrighis

Como é escrever para Karina Aldrighis? "Escrever para mim é como o vicio em cigarro: se não escrevo, fico ansiosa, agitada, com insônia, notívaga, não consigo organizar as ideias, verdadeira confusão mental, enquanto não coloco “aquela” ideia no papel, enquanto não escrevo... Pode parecer exagero,...

Marcelo Kassab

Como é escrever para Marcelo Kassab? " Tu, escritor Da realidade extrais fantasia, semeias asas às emoções reprimidas. Das lágrimas que lavam as feridas mudas a vírgula, renasce a alegria. Pintas imensas obras de arte nas páginas que libertas das amarras. As tintas e cores com que...

Maria Iraci Leal – MIL

Poeta e Escritora.  Licenciatura Plena em Educação Artística.  Massoaterapeuta. de Tramandaí   Chorei sim, mas nunca desisti...   Chorei, sim, chorei muito, demais, hoje sei que nada tinha de especial aquela fase de vida! Mas foi necessário conhecer das ilusões o...

SILVIA (de Lourdes) ARAÚJO MOTTA

EDER MACHADO SILVA-Sargento PM// - Acróstico-biográfico Nº 6509// Por Silvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil -// E-Éder Machado Silva, Sargento PM, D-Desde 1992, ingressou na PMMG, E-E, com dezoito anos prestou Praça, R-Reconhecido Soldado em Téofilo Otoni; - M-Mudanças ocorreram; destacado para A-A sua...

Luís Corredoura

    Faço referência a este Poeta, que mesmo morando entre a DISTÂNCIA dos continentes, seus trabalhos consegue superar distância e encantar os amigos e leitores.     Convido a todos para conhecerem Luís Corredoura e alguns de seus trabalhos.    ...

Marize Rodrigues Ukwakusima.

Marize Rodrigues Ukwakusima mora em São Paulo, poetisa natural de Maceió.     O VERDADEIRO AMOR NÃO MORRE   Ela já amou tanto tanto  Que se perdeu  Quando seu amor a deixou   Atravessou imensos desertos  De pura solidão  Mergulhou em profundos abismos De...

Pedro Varino Ukwakusima

    Cooperador na empresa Gideões Missionários da Última Hora-GMUH     Estudou na instituição de ensino Universidade 11 de Novembro - Faculdade de Direito de Cabinda     Anterior: Cape Peninsula University of Technology...
1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>