Juliana Teixeira.

Juliana Teixeira.

         Convido os amigos a conhecerem um pouco da obra da Escritora Juliana Teixeira, que de uma forma especial fiquei conhecendo.

         A escritora Juliana e eu somos moradores do mesmo Estado, porém foi  uma amiga nossa que também é Escritora e moradora da cidade de São Paulo que nos apresentou.

        Ficamos encantados com os textos e trabalhalhos de Juliana. 

        As fronteiras da literatura não existem, a distância é uma mera medida geométrica, porém os trabalhos literários nos eternizam em nosso tempo e na nossa história.

        Eu faço das palavras desta amiga em comum, as minhas palavras em afirmar que a jovem Escritora Juliana Teixeira tem uma forma especial em narrar seus contos e suas histórias.

 

Leandro Campos Alves.

2015.

Apreciem o conto “Sempre inofensivo”

      Estar morta é o mesmo que se sentir assim? Não consigo focar minha visão, meus pensamentos se dispersam como cinzas na água, sinto o peso de cada lágrima que cai em meu rosto. Parece que as comportas de uma represa de memórias foram abertas, e um turbilhão de flashes passa por mim com tanta rapidez… É um pesadelo infernal. Dois minutos são como dez anos.

       Estou amarrada em uma cadeira, como um bandido preso para interrogação. Uma corda muito apertada está prestes a tirar a circulação de minhas mãos, meus braços estão dormentes. Tenho cortes e hematomas por todo o corpo. E ele não para de me encarar. Nunca foi amor. Éuma obsessão doentia e desgastante. Tenho nojo dele.

       Claro que não foi sempre assim. Começou com um simples flerte em uma cafeteria, um troca de olhares e sorrisos inofensivos. Uma conversa amigável, troca de números, um telefonema sem pressão. Encontros românticos e até divertidos, idas ao parque e jantares especiais. Eu deveria ter suspeitado do olhar intenso que Jack me lançava, os sorrisos maliciosos, o tom de voz inabalável. Ele dizia que eu era um enigma, uma peça principal.         Mesmo agora ele me olha do mesmo jeito. Estou coberta de suor, tenho sangue escorrendo por várias partes e não consigo parar de tremer e chorar. Mas lá Jack: me olhando, entretido, como se eu fosse um rato de laboratório. Quantas pessoas já devem ter sofrido nas mãos desse psicopata? Sou a primeira?         Mas o mais importante agora: quanto tempo vai levar para que eu morra?

        É estranho pensar no quanto você não sabe sobre pessoas próximas a você. Seu irmão pode ser chefe de uma rede de tráfico de drogas, sua amiga pode usar uma identidade falsa para vender “artigos de luxo”, seu ficante pode ter um distúrbio mental e te perseguir por becos e ruelas. Não sei se o pior é perceber o quão idiota você é por nunca ter percebido o que acontecia bem na sua frente ou se sentir tão decepcionada por ter tido alguma expectativa levemente alta de que essas pessoas eram “boas” e “confiáveis”. Sabe aquele namorado que você acha que te ama mais que tudo e que você ama de volta? Acontece que ele só queria dormir com você, e não se importa nem um pouco com você. Sabe aquela amiga para quem você conta tudo? Ela não dá a mínima parar você, só queria uma distração da vida horrorosa que leva. No final de tudo, você só tem a si mesmo.

            Jack balança um bastão de um lado para outro. Ele solta frases como “você é minha, e não pode ser de mais ninguém” e “vou provar que você me ama”. Depois me dá um tapa na cara. Ele me acusa de tê-lo traído depois de me encontrar abraçando meu melhor amigo, Eric. Ah, como a vida é difícil para as pessoas ciumentas.

           Fecho meus olhos com força. Não me lembro de ter chegado aqui, de ter sido amarrada. Me lembro de ter sido forçada a transar com ele. Me lembro do olhar fixo que ele mantinha em cada corte que fazia nos meus braços, e como se deliciava em ver o sangue escorrer por meu corpo. Doente.

          Quando eu descobri esse “probleminha obsessivo” de Jack, eu disse que talvez ele deveria procurar ajuda de um profissional. As coisas começaram a ficar mais violentas: ele me batia, eu chamava a polícia, ele me batia, eu chamava a polícia, etc. Não teve fim. Jack sempre escapava. E ele sempre aparecia do nada. Comecei a suspeitar de todas pessoas ao meu redor. Era assustador acordar no meio da noite e pensar que ele poderia estar em algum lugar do apartamento me observando.

           Pensando bem, não é muito diferente agora. Aqui estou eu: um pouco inconsciente. Aqui está ele: me observando delirar. Mas não tenho forças para gritar, me libertar dessa cadeira podre. Sinto um cheiro fétido e me vem um gosto de ferro na boca. Passo a rever todos os passos de uma vítima sobrevivente em filmes de terror. Geralmente, ela sabe lutar – e eu… não sei – ou alguém sabe do paradeiro dela e chama a polícia. Como não sei há quanto tempo estou aqui, duvido que alguém dê por minha falta. Se alguém suspeitar que estou sendo ameaçada/torturada no apartamento de Jack, provavelmente chegarão e não terá muito mais de mim para salvar. Penso em prender o ar até sufocar e morrer.

             Ele me dá um beijo na boca. É agressivo e sinto o gosto de sal e sangue. Dei uma mordida forte em seu lábio inferior, até conseguir arrancar um pedacinho! Sinto uma explosão de dor na minha cabeça e desmaio.

           Escuto vozes de muitas pessoas, mas nenhuma é familiar. Sei que agora estou deitada e ouço sons parecidos com os daquela máquina de hospital que indicam a frequência cardíaca. Não sinto o odor podre de Jack e meu corpo parece ter sido atropelado por um caminhão. Abro os olhos: eu realmente estou em um hospital.

           Uma enfermeira checa minha bolsa de soro e me dá um sorriso complacente. Por que sempre que desmaio acordo em um lugar diferente? Estou usando uma camisola branca e algumas máquinas estão ligadas, fazendo um barulho estranhamente calmante. Não há sinal algum de Jack. Quando o médico chega e me pergunta meu nome, se sinto muita dor e do quanto me lembro, eu respondo tudo de forma muito robótica. Parecem falas decoradas, não há emoção em minha voz. Acho que ainda estou em choque.

         Ele diz que Jack me manteve presa por três dias e que a polícia chegou no apartamento e me encontrou amarrada, sangrando e inconsciente. Eu estava desidratada, muito machucada e que agora teria que fazer um acompanhamento com um terapeuta. Eles me manteriam em observação por alguns dias, mas não houve lesão grave. Quando pergunto sobre Jack, o doutor me dá um sorriso de alívio e me conta que ele está preso e bem longe do estado. Parece que ele era um psicopata extremamente perigoso e procurado pelo FBI. Que sorte a minha.

         O médico me deixa sozinha, disse que eu precisava descansar. Mas quando ele sai, eu penso se ele bate em sua esposa, se a trai. Penso se ele é um bom pai ou bom filho. Também analiso a enfermeira e me pergunto se ela seria capaz de machucar algum paciente enquanto todos dormem.

         Talvez, eu tenha ficado paranoica. Mas a vida me ensinou uma coisa: jamais confie em qualquer pessoa. A única pessoa que sabe o que faz é você mesmo. Seus pais, seu parceiro, irmãos e amigos podem ser pessoas completamente diferentes. Suas realidades podem ser completamente diferentes, a identidade de uma pessoa pode, afinal, não existir nem fazer sentido. Mantenha os conhecidos por perto, mas não confie em ninguém. Confiar é mentir para si mesmo.

 

Juliana Teixeira.

Divinópolis M.G.

  

    Saboreiem as crônicas e contos desta amiga Escritora Juliana Teixeira e tenham um bom tour literário através do seu blog; jardimdossussurros.wordpress.com/

 

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Escritores Convidados.

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Antologista, biblioterapeuta, blogueira, cronista, escritora, narradora de histórias, palestrante, poeta, professora, psicopedagoga e revisora de textos.   LIBERTADOR Libertador: Que liberta a dor:  O Amor!   PAZ Ouvindo mais  Falando menos...  Aprendendo...

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