Guerra Junqueiro

Guerra Junqueiro

 por Elisabeta Mariotto


    Abílio Manuel Guerra Junqueiro teve um papel extremamente importante no cenário cultural de Portugal. Foi classificado o "Victor Hugo português" devido à sua importância e foi considerado, por muitos, o maior poeta social português do século XIX. Recebeu o reconhecimento de escritores contemporâneos importantes, como Eça de Queirós, que o considerou "o grande poeta da Península", como Sampaio Bruno, que viu nele o maior poeta da contemporaneidade, e como Teixeira de Pascoais, que o classificou "um poeta genial". Fernando Pessoa também manifestou a sua admiração por Guerra Junqueiro, classificando Pátria uma obra "superior aos Lusíadas". Da mesma forma, Miguel de Unamuno, escritor espanhol, também considerou-o "um dos maiores poetas do mundo".Abílio Manuel Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 17 de setembro de 1850. Fez os estudos os preparatórios no Liceu de Bragança e frequentou o curso de Teologia da Universidade de Coimbra durante dois anos. Compreendendo que não tinha vocação para a vida religiosa, transferiu-se para o curso de Direito daquela universidade, concluindo-o em 1873. Ainda durante o curso de Direito, começou a manifestar notável talento poético, sendo considerado um dos nomes mais promissores da nova geração de poetas portugueses da época. Em 1868, publicou o opúsculoO Aristarco Português e a obra Baptismo de Amor. Sendo antimonárquico, manifestou as suas ideias republicanas em 1873, publicando o poemeto À Hespanha Livre, em que celebrou a proclamação da república espanhola. Em 1874, publicou A Morte de D. João, obra que obteve um enorme sucesso, recebendo apreciações críticas de escritores de grande renome como Camilo Castelo Branco e Joaquim Pedro de Oliveira Martins. Em Coimbra, começou a sua carreira literária promissora como redator do jornal literário A Folha. Transferindo-se posteriormente para Lisboa, foi colaborador de jornais políticos e artísticos, como o jornal A Lanterna Mágica. Entrou para o funcionalismo público e tornou-se secretário-geral do governador civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Em 1878, foi eleito deputado pelo círculo de Macedo de Cavaleiros, nunca deixando de se dedicar, entretanto, à literatura. Publicou, em 1879, a obra A musa em Férias, que reúne grande parte das suas poesias. Faleceu em Lisboa a 7 de julho de 1923.

    A sua obra poética aborda temas sociais que refletem o panorama da sociedade portuguesa dos finais do século XIX e do início do século XX. O anticlericalismo e o ataque à burguesia corrupta são temas marcantes da obra de Guerra Junqueiro, que apresenta um profundo descontentamento com a decadência de Portugal e com postura do rei Dom Carlos e de toda a dinastia Bragança face ao destino do país. Considerava que Portugal estava entregue a uma monarquia que indiferente ao desenvolvimento do país, e desprovida de moral, porquanto entregue aos interesses ingleses. Junqueiro considerava, portanto, que o país havia entrado numa decadência moral e que só poderia se reerguer quando conseguisse redefinir a sua própria identidade, através da revolução moral.

    Guerra Junqueiro foi militante do Partido Progressista durante o período monárquico e colaborou ativamente com a República após a sua instauração, em 1910. Obteve reconhecimento dos seus serviços em prol do ideal Republicano, sendo nomeado Ministro Plenipotenciário da República Portuguesa na Suíça, função que ocupou até 1914.

    Manifestou a sua oposição à monarquia em poemas como Finis Patriae, Canção do Ódio e Pátria, instigando nos seus leitores um sentimento de descrédito em relação ao sistema de governo em vigor. Uma das maiores críticas de Junqueiro à monarquia deveu-se à cedência do rei Dom Carlos ao Ultimato Inglês, que resultou, em 1890, no fim do projeto colonial português do Mapa Cor-de-Rosa. Este projeto visava os territórios da costa de Angola à costa Moçambicana.

    Guerra Junqueiro marcou, inegavelmente, o cenário da cultura e da literatura portuguesas. Foi reverenciado por vários escritores de renome e continua a ser considerado uma figura de extrema importância no panorama português. Além de grande escritor, foi uma personagem politicamente ativa na instauração da república portuguesa. Obteve reconhecimento não só a nível nacional, mas também internacional, tendo ultrapassado fronteiras e influenciado pensadores de todo o mundo.


Bibliografia ativa

 

• Amaral, M. (2000-2012). Guerra Junqueiro. In: Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. Edição eletrónica:www.arqnet.pt/dicionario/guerrajunqueiro.html

• Calafate, P. (2006). Portugal como problema – Século XIX: A decadência. Lisboa : Fundação Luso-Americana.

• Pereira, H. M. S. (2008). Guerra Junqueiro. In: Revisitar e Descobrir Guerra Junqueiro. Universidade Católica Portuguesa do Porto. Edição eletrônica:artes.ucp.pt/guerrajunqueiro/revisitardescobrir.html


Bibliografia passiva

• Junqueiro, G. (1874). A Morte De D. João. Porto : Livraria More.

• Junqueiro, G. (1875). Contos para a Infância.

• Junqueiro, G. (1879). A Musa Em Férias. Lisboa : Typographia Universal.

• Junqueiro, G. (1885). A velhice do padre eterno. Porto : Livraria Minerva.

• Junqueiro, G. (1890). Finis Patriae. Porto : Empreza Litteraria e Typographica-Editora.

• Junqueiro, G. (1892). Os Simples. Porto : Typographia Occidental.

• Junqueiro, G. (1903). Oração Ao Pão. Porto : Livraria Chardron.

• Junqueiro, G. (1915). Pátria. Porto : Livraria Chardron.

• Junqueiro, G. (1920). Poesias Dispersas. Porto : Livraria Chardron.

 

Fonte: InstitutoCamões

cvc.instituto-camoes.pt/seculo-xix/guerra-junqueiro-dp1.html#.WAVGv_krLIU

Poetas e Escriores da Lusofonia

Jorge Chichorro Rodrigues

        Jorge Chichorro Rodrigues nasceu em Lisboa, em 19 de março de 1958. Depois de terminar a licenciatura como Tradutor-Intérprete, no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração), fez o serviço militar e começou a dar aulas de Português, em Portugal....

Alice Teixeira

        Alice Teixeira, nasceu em S. Pedro do Sul, mas foi criada em África até à adolescência e reside atualmente em Ermesinde.         Adora ler desde tenra idade e cedo começou a escrever poesia, guardando no entanto os seus manuscritos...

Alda Melro

        Autobiografia Alda Melro            Nasci em Viana do Castelo. Finalizei o ensino obrigatório e não quis estudar mais, porque não gostava de Matemática. Decidi experimentar o mercado de trabalho, não foi fácil, então decidi ir...

Albertina Fernandes.

          Autobiografia.         EU, Albertina Fernandes         Fui professora do Ensino Secundário, sempre na minha terra natal, Arcos de Valdevez, de onde saí apenas para fazer o estágio pedagógico, no ainda...

Conceição Maia Rocha de Oliveira

        É natural e residente em Aveiro, Portugal.          O seu primeiro curso, Magistério Primário ou Escola Normal, assim como a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Francês/Ensino) pela Universidade de...
<< 1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>