Direitos Autorais o Grande Julgamento.

Direitos Autorais o Grande Julgamento.

 

        Chamo-me José Pedro, escrevo pequenos pensamentos por mero prazer. São textos com uma construção quase única.  São poucos os poetas e os escritores que conseguem a façanha de redigir romance em versos. Alguns chamam esta construção de contos, outros de crônicas e ainda existem aqueles leitores que simplesmente os chamam de poemas.

        É normal encostar-me ao meu computador e em poucos minutos redigir textos e poemas, da mesma forma em que também é normal publicá-los em algumas comunidades literárias. Nunca me preocupei com a exposição de meus textos, até o dia que o pior aconteceu...

        Visitando alguns textos e lendo poemas de amigos, passei o olho em cima do anúncio do lançamento de um livro de poemas. Algo me chamou muito a atenção, então cuidadosamente me pus a lê-lo, e a cada letra, a cada verso, meu coração palpitava fortemente e a palidez tomava a minha face.

        As poucas páginas que estavam dispostas à leitura, eu reconheci os meus textos naquelas linhas, até mesmo os erros que estavam no conteúdo, pois para infelicidade do autor que publicou o livro, eu ainda não tinha feito a correção ortográfica dele.

        Não tive dúvidas em procurar a justiça para requerer o reconhecimento de minha autoria na obra, eu queria não era o dinheiro e muito menos que a sentença prejudicasse o compilador, mas o reconhecimento do mesmo.

        O grande dia estava marcado, e os advogados estavam munidos por vastas documentações e provas, ambos estavam certos do veredicto a favor, porém eu receava por um sentimento estranho, tipo uma premunição.

        O julgamento já estava em andamento e as provas estavam sobre o olhar atento do Juiz. Com a voz mansa e sábia, o Juiz fez uma referência avisando que tinha passado a noite lendo as provas do auto, porém era sabido que aquele julgamento só poderia ter uma sentença a ser homologada, mas ele como bom apreciador de contos ordenou que ambos os escritores contassem como surgiu a construção do livro.

        Em primeiro ele solicitou a palavra àquele que não era dono dos textos, e meio gago com a voz trêmula ele contou sua história.

        Logo em seguida ele afirmou que queria ouvir a minha, então protegido pelo dom que Deus a qual fui agraciado por Ele me pus a contar a história.

 

Meritíssimo,

hoje estou aqui na sua frente,

para requerer a minha autoria,

destes textos aqui publicados,

por este pobre coitado.

 

Cada letra tem uma rima,

que por mim foi construído,

e ainda tenho dito,

que foi por minha esposa todo corrigido.

 

Neste termo peço ao senhor que é autoridade,

que me devolva a veracidade,

de assinar a obra em julgamento,

no qual alega ser este senhor,

o seu criador.

 

Mas cada verso tem minha marca,

cada marca tem a minha história,

e a história guarda um pouco de minha memória.

 

Escrevo não é por glória,

mas por inspiração que por Deus foi-me dado,

para traçar as linhas destes versos,

isso já é prova e isso é fato.

 

Por isso eu provo por minha oratória,

que cada letra deste tem a minha autoria,

porém infelizmente ele não foi por mim registrado,

conforme a lei tem aconselhado.

 

Mas quero também solicitar que na sentença,

o senhor perdoe este pobre coitado,

por ter o texto de mim surrupiado,

sem imaginar que o dom da escrita é uma dádiva,

que nasce no coração,

e não sobrevive de ilusão.

 

Termino a minha humilde defesa,

agradecendo o senhor a gentileza,

de ouvir o lamento deste poeta,

por isso já tenho a certeza,

que o veredicto será contra o acusado.

 

E termino afirmando que hoje aprendi,

que um texto só pode ser divulgado,

após seu registro ter sido homologado,

na Biblioteca Nacional,

e já ao final lhe deixo meu muito obrigado.

 

        O juiz ouviu atentamente a minha defesa, porém ninguém mais tinha a certeza do resultado final, mesmo diante de tantas provas havia uma única fonte que pesava: o registro do texto na Biblioteca Nacional.

        Os advogados esperavam o veredicto ser anunciado e proferido pelo juiz.

        Por minha vez, eu tinha quase a certeza de ter comprovado a autoria do trabalho.

        O juiz saiu da sala e após cinco minutos voltou com a sentença redigida. Ele pediu a todos para sentarem e logo falou:

        __Tenho certeza que o livro foi compilado pelo réu e que a autoria é de José, não há duvidas do dom que sobre ele está incrustado, porém como juiz tenho que relevar-me às provas materiais, tenho que andar sobre a retidão da lei e do código penal, com coração pesado e a consciência tranquila, eu declaro que a autoria do livro em julgamento, provido da prova maior contextual que é o registro na Biblioteca Nacional, concedo ao Réu aqui em questão, Antônio Firmino, a autoria da obra. E declaro que a custa deste processo vai para ao José.

        Assim dou por encerrado este julgamento.

        O veredicto “caiu como uma bomba em minha vida”, eu tinha a certeza que sairia vencedor daquele julgamento, mas para lei a dádiva de escrever não é prova contundente, só o registro nos dá o poder de sermos donos de obras intelectuais.

        O livro virou sucesso de venda, o autor nunca mais lançou outra obra, e eu?...

 

Leandro Campos Alves

Livro publicado e registrado no EDA - RJ.

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