Contos e Retalhos Poéticos com Heliana Castro Alves.

Contos e Retalhos Poéticos com Heliana Castro Alves.

Um dia, bem no início de uma manhã amarela, ela floresceu gentilezas mansas, mas resguardou, em absoluto silêncio, um canto de revolta, de inquietude, de maremotos, caos e furacões. Era outro tempo: um tempo lacunar de vazios e esquecimentos, que necessário era em ouvir o pio das corujas, os risos das crianças, o tecer das velhas. Não sabia se vivia a quietude com consternação ou amor, aquela coisa de apagar calor, ardor, terror - uma luz fria e telas maciças no lugar do lilás molhado de mar. Mas sabia, atenta, que era necessário forjar seus mistérios na lentidão das raízes escondidas: querência incessante da sua sede aberta. Tomou seu café, alimentou os gatos, esqueceu as plantas.
(Heliana Castro Alves em Avessos @direitos reservados)

Um dia, bem no início de uma manhã amarela, ela floresceu gentilezas mansas, mas resguardou, em absoluto silêncio, um canto de revolta, de inquietude, de maremotos, caos e furacões. Era outro tempo: um tempo lacunar de vazios e esquecimentos, que necessário era em ouvir o pio das corujas, os risos das crianças, o tecer das velhas. Não sabia se vivia a quietude com consternação ou amor, aquela coisa de apagar calor, ardor, terror - uma luz fria e telas maciças no lugar do lilás molhado de mar. Mas sabia, atenta, que era necessário forjar seus mistérios na lentidão das raízes escondidas: querência incessante da sua sede aberta. Tomou seu café, alimentou os gatos, esqueceu as plantas.

(Heliana Castro Alves em Avessos @direitos reservados)


Entre as tortas travessias filosóficas e seus arabescos retóricos, ele assoprou ao vento: "... este ego solapado, esta tua existência nua, crua" - e as palavras soltas tapearam minha superfície arenosa, meus poros irascíveis, a carne rasgada, ossos amolecidos. Eu o olhei com o pouco que tinha: as pupilas foram conectadas ao peito com pontes escuras entremeadas de heras secas sob o céu de chumbo, assobios sinistros; vi meus antigos corvos mortos na vegetação fechada das artérias verdes abrindo o sinuoso labirinto até a pulsação central da matéria mortal do corpo. Transbordei, infinita, até fazer correr sangue por baixo da terra. "Por que choras?", ele derrama a pergunta na dura rachadura aberta do meu silêncio perdido - "Porque é profundo o rio", escorri minhas pequenas palavras rasas no ar úmido da mesa fria e observei, inerte, os peixes sedentos. Mas ninguém chora por metafísica.
 
 

Ruídos no peito

Atravessando as margens fixas da janela,
O trem passava e rugia
Rugia,
Rugia...
Impassível à paisagem, ele rugia...

Quebrava silêncios invisíveis dos animais petrificados 
Embalava sonos exaustos de crianças famintas
Cegava as guerras esquecidas da tarde cinza

A linha do trem era interminável e reta
Ela riscava sem perdão o olhar molhado da cidade nua:
As lágrimas nasciam quentes, morriam frias,
e escorriam lentas nas pontes e ruas das minhas memórias vadias:
Era um olhar fugitivo, mareado e calado, 
Mergulhos profundos nos sons do sino enferrujado...

Escadas solitárias
Gritos lentos
Face ardente
Vozes inaudíveis da terra

Nascia um vazio daquela interminável linha reta:
As vísceras do tempo devoravam o trem que rugia...
Rugia e sumia,
Sua palavra fria

(Heliana Castro Alves)

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Fonte: Contos e Retalhos Poéticos com Heliana Castro Alves.

 

 

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