Ciúmes...

Ciúmes...

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        A vida é mesmo cheia de sentimentos, obstáculos, raivas e falta de compreensão.

    Sou Paulo e casei-me muito cedo, mas tinha certeza do que queria, pois maturidade nunca me faltou, mas minha impetuosidade sempre esteve comigo, em pouca palavras meu sangue subia em cólera, minha reação mesmo contando até dez era imprevisível, pena que só descobri o meu pesadelo tarde.

        Meu ciúme é controlável, pelo menos achei que fosse, até o dia que tudo aconteceu.

      Era uma segunda como outra qualquer, saí cedo para trabalhar deixando minha esposa e o meu único filho em casa.  Sempre falei que a única coisa que não admitia era ver minha esposa conversando com outro homem, e acho que todos os homens têm este medo.

        Mas o medo e o ciúme não são bons parceiros e exemplos.

        Naquela manhã saí de casa dando um beijo amado em minha mulher e meu filho de três anos, e logo estava em meus afazeres, afinal tinha que trabalhar para sustentar minha família na certeza que ela estava protegida em casa.

        Como meu serviço me dava a oportunidade de andar por toda cidade, tudo e todos não me passavam desapercebidos. Quando beirava às onze horas minha essência selvagem subiu-me à cabeça, pois como sempre falava para meus amigos, se um dia visse minha esposa na companhia de outra pessoa com certeza eu passaria o carro sobre eles.

        Meu ódio se fez naquela manhã, e posso sentir como se fosse hoje a tragédia anunciada.

      Ao trafegar pela cidade, esperava o sinal abrir quanto vi um carro passar por mim, e dentro dele um senhor desconhecido e aparentemente minha esposa tentando esconder o rosto, pois ela estava com o rosto sobre seu colo.

        Não pensei duas vezes, comecei a seguir o veículo com o intuito de descobrir a certeza, pois a cada cruzamento em direção ao bairro mais distante, minha raiva e minha certeza de que era minha esposa aumentava, pois mesmo com muita raiva, com sangue quente subindo em meu rosto, naquele momento mantive a calma, até o momento que o veículo parou em frente a um hotel. Naquele exato momento vi minha esposa se debruçando no colo do motorista e se antes eu tinha dúvida da traição agora tinha certeza, era nítido o ato libidinoso em plena luz do dia.

        A vadia não pensava nem mesmo em nosso filho, que provavelmente estava em casa, trancado, sozinho, chorando ou dopado por remédios.

        Mil coisas passavam pela minha cabeça, quase todos pensamentos eu tinha dúvidas nas atitudes a tomar, a única dúvida que não tinha era a vontade de matar os dois.

        No momento que vi a porta do carro se abrindo e o motorista segurando provavelmente na cintura de minha esposa, não pensei duas vezes, fui até o lado do carro e disparei três vezes no motorista, retirando sua vida sem temor, sem medo e sem pestanejar.

        Agora teria que tomar a atitude mais difícil, puxar a arma para minha esposa, que mesmo me traindo eu a amava muito.

        Fiz a mira naquele rostinho assustada, sem saber nada e sem falar uma palavra.

        Neste momento vi que ela tinha no colo meu filho embrulhado numa toalha com a cabecinha cheia de sangue.

        Descobri que ele tinha caído na escada de casa e que aquele senhor que estava passando pela rua e viu o desespero da minha mulher, estava levando-os ao hospital que estava exatamente na esquina à frente do local que o carro parou.

        E às vezes que minha esposa parecia estar deitando no colo do motorista, ela estava abraçando e acalmando o menino que chorava assustado e com dor.

        Minha vida eu desgracei por meu ciúme.

        Matei um inocente, perdi quem eu mais amava, pois minha esposa nunca mais me procurou e meu filho, sei lá onde está, acho que ele hoje tem quinze anos, e nunca participei de sua criação, nem mesmo o vi crescer.

        E eu? ...

        Hoje estou aqui trancafiado nesta prisão, sem luz, sem calor humano, sem ninguém, tendo comigo somente a companhia de meus ciúmes.

 

Crônica Ciúmes.

Autoria Leandro Campos Alves.

Livro Revelações. 

Número de páginas: 101 
Edição: 1(2017) 
Formato:  Pocket (10,5cm x 14,8cm) 

Coloração: Preto e branco 
Acabamento: Brochura s/ orelha 
Tipo de papel: Offset 75g

 

Clube de Autores e E-book Saraiva

 

 

Foto é meramente ilustrativa, a autoria desconhecida por tê-la em varios blogs na web.

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