Benedito Carlos Gonçalves de Lima

Benedito Carlos Gonçalves de Lima

Benedito Carlos Gonçalves de Lima, nascido em 11 de Junho de 1949, no Estado de São Paulo, mais precisamente na cidade de Bauru. Pois sua mãe senhora Ernestina Gonçalves de Lima estava hospedada na casa de uns amigos corumbaenses que residiam nessa cidade, eram da família Macena. Sua mãe estava em tratamento de saúde em Campos do Jordão, onde ficou internada por vários anos naquele instituição.

A senhora Ernestina naquele localidade acabou conhecendo um rapaz de origem indiana, da qual se apaixonou. Foi paixão louca, pois o mesmo estava de malas prontas para retornar ao país de origem. Dessa relação relâmpago ela engravidou. Como já estava de alta partiu para Bauru, onde tinha amigos e lá nasceu Benedito.

Sua mãe ficou por muitos anos internada e com isso perdeu contato com o restante dos familiares que havia deixado em Corumbá então na época no Mato Grosso. Mesmo ‘sem lenço e nem documento" pegou o trem e rumou para o Pantanal. Trouxe pouca coisa, além de um bebê. Não encontrou ninguém pois já fazia muito tempo muitos já haviam morrido ou se mudado. Não encontrando nenhum dos filhos que havia deixado, Willian, Alvalila, Anadir e Esthênio. Pois na época que sua mãe viajou todos os filhos haviam sido recolhidos na época na casa de familiares. Sua mãe todos os dias saia em busca dos parentes e nada de encontrá-los. As reservas de dinheiro foi se esgotando, principalmente porque trazia uma criança nos braços. Logo teve que deixar a pensão onde estava alojada.

A solução encontrada foi se abrigar no Coreto do Jardim na Independência. Pelo menos não tomava sol ou chuva. Isso foi por muitos dias. Até que encontraram uma família que os acolheu, a família Mattos. Mais precisamente Alyrio Augusto de Mattos e Deolinda Assumpção de Mattos, família que já estava criando o Esthênio, que já era um rapagão que trabalhava como aprendiz de marceneiro e carpinteiro na Serralheria do Eduardo Preza, ali na Avenida com a Antônio Maria. A partir daí encontramos as minhas irmãs Alvalila e Anadir que estavam sendo criadas pelo português Domingos Vieira. 

Domingos Vieira era um empresário engarrafador de vinhos de Mingote, Domingos Vieira Filho Professor de História. 

Assim após o acolhimento pela família Mattos, começamos uma nova vida, com melhor condições. Cedo entrei para a escola particular São José da senhora Ramona Ibarra, está viva até os dias de hoje e mora em Brasília, já quase centenária. Onde fiz as primeiras letras A, B, C e 3º ano. O 4º ano/admissão fiz na Escola Estrela do Oriente com Eubéia Senna de Almeida.

Graças a centenas de livros de Literatura que existiam no porão do sobrado onde ele morava na Avenida General Rondon número 1524. Quando ele não estava fazendo atividades se dedicava a fazer leitura de tais livros. Já o gosto pela música, duas das quatro filhas da família Mattos, a Angelina tocava Piano e a Alcina tocava acordeon. Eram cinco irmãos, Angelina, Alcina (falecida), Alyrio (falecido), Annet e Déa, todos criados com no nosso poeta como irmãos.

Depois da Estrela do Oriente, ele fez Admissão ao Ginásio no Maria Leite e passou a primeira época. Mas foi no Estrela graças a Eubéia Senna de Almeida que ele começou a escrever redações e posteriormente poemas. Pois ela exigia que toda semana os alunos apresentassem um trabalho ao vivo e em cores para a classe toda. Já no Maria Leite colaborou com o jornalzinho O ESTUDANTE do Grêmio Literário Euclides da Cunha e participava aos sábados das Atividades cívicas culturais com a égide de Clio Proença e Cintia Proença. La publicava poemas e depois foi para o Curso Noturno, onde fundou o jornalzinho O NOTURNO. Graças a professora Magali Baruki que institui na época um certame de trovas. Ele saiu premiado em primeiro lugar e mas vinte trovas. Surgiram na época Luiz Pavon, Jair Gibaile, Glaucio Ganne, João Barbosa Junior, Nilton Grey Otto Lins, Rivaldo Araujo, Euclides Añez, André de Pinho Sobrinho e Ivan Rabelo. Foram tantos em virtude disso foi criada a escola poética Castro Alves e depois PEC poetas estudantis de Corumbá que se transformou em Grupo ALEC e também nessa época passou a participar de festivais de música. Participou em 1967 do Festiva de Música do bi-centenário de Corumbá, com a música Corumbá, interpretada por Tadeu Vicente Atagiba, que era o Joselito pantaneiro da época. Depois vieram outros festivais no Riachuelo Futebol Clube, onde ele conseguiu classificar várias canções, como Cidade Branca na voz de Marco Aurélio(MJ6) e Cousas do Mundo (na voz de Mônica Cavalcante). Organizou alguns festivais coo Festival Estudantil da Canção, quando veio participar Eva Vilma e John Herbert no encerramento.

O grupo ALEC lançou diversas coletâneas, cerca de mais de quarenta, a primeira foi a Nossa Mensagem e a mais recente Poetas do Café Literário.

Como professor ele diz que foi jogado no fogo literalmente ao pegar uma primeira série na Escola Estadual Maria Helena Albaneze, pela Clarice de Jesus, mas mesmo assim ele venceu o desafio e criando o LABIRINTO ALFABÉTICO que saiu publicado na época na Revista Escola. Foi uma "aventura" incrível pois o professor Benedito só havia lecionado 5º ao 9º ano e Ensino Médio. Já na Escola Estadual Octacilio Faustino da Silva teve a oportunidade de fazer o BINGO DA INTEGRAÇÂO e levou para a feira estadual de Ciências, onde conseguiu tirar o primeiro lugar, garantindo um kit de Ciências de três módulos de laboratório, que infelizmente segundo ele nunca foi usado pelos alunos, eram aqueles armários com muitos aparelhos científicos para realizações de experiências.

Bendito CG Lima gosta da tranquilidade de Corumbá e ele continua a escrever poemas, e sempre quando necessário faz críticas a falta de atenção dos aparelhos governamentais para com esse setor. Ele criou o Movimento Negro de Corumbá e Ladário, trazendo a modelo negra Pinah para a noite do destaque Negritude.

Ele enfatiza que nunca recebeu nenhuma homenagem da Câmara Municipal ou da Prefeitura Municipal apesar de levar o nome da cidade em todas as edições dos mais de quarenta livros, sites, blogs, certames, etc. ganhando várias premiações literárias em outros municípios. "(...) sou verbete em alguns dicionários entre os quais Enciclopédia da Literatura Brasileira de Afrânio Coutinho - MEC. Desenvolvo alguns projetos como o de Contação de História, Segunda feira/fantasia de primeira, Passa na Praça/que a arte te abraça, Poemas em tapumes e outros..."

O nosso ícone da cultura corumbaense é casado a 38 anos com a professora Janete Alvarenga Lima, tem 6 filhas professoras e 7 netos. Membro de inúmeras entidades culturais entre as quais Academia Corumbaense de Letras.

"(...) a esperança é a última que morre, por isso acredito na cultura corumbaense, onde um dia chegará em que os políticos olharão para este setor ai então a cidade faria jus ao nome de Capital da Cultura e com isso os produtores culturais serão beneficiados de verdade..."

 

Fonte: Correio Corumbá

Link:www.correiodecorumba.com.br/?s=noticia&id=21582

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