Artigo especial Mês da Mulher

Artigo especial Mês da Mulher

Por Ana Paula Pereira da Silveira e Helena Luísa de Carvalho

 

    Houve um tempo em que para a mulher se inserir no mercado de trabalho e sair do papel de dona do lar teve que fazer parte dos movimentos revolucionários ligados ao feminismo, que surgiram fortemente no início do século XIX. Os movimentos feministas deixaram muitos legados e heroínas, mulheres que se tornaram famosas mundialmente como responsáveis por abrir as portas do mercado para muitas outras mulheres, que desde então, vem a cada dia conquistando mais ainda seu espaço. Áreas antes quase que exclusivamente masculinas, como tecnologia e engenharia estão hoje repletas de mulheres atuando, heroínas anônimas com papel primordial no desenvolvimento de suas áreas de atuação e do mercado para outras mulheres.

    A entrada das mulheres no mercado também foi impulsionada por mudanças no comportamento das sociedades. Até o modernismo, a sociedade buscava estabilidade, com cada indivíduo da família exercendo seu papel bem definido. Já no pós-modernismo, muito bem definido por Bauman(1) como modernidade líquida, a sociedade sofreu grandes mudanças e não conserva sua forma por muito tempo. Ainda de acordo com Bauman(1), a sensação de liberdade individual foi atingida e todos podem se considerar mais livres para agir conforme seus desejos. Na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, o que faz com que os indivíduos não tenham mais um papel definido na família e nem na sociedade(1). Hoje há muito mais espaço para a atuação da mulher fora do lar. Eu como docente na área da Tecnologia e Engenharia Civil, vejo as minhas salas de aula com pelo menos metade da turma composta por mulheres, que estão se tornando essas heroínas anônimas, responsáveis pela abertura silenciosa do mercado para as mulheres. Mulheres essas, que “sem queimar o sutiã”, estão estabelecendo o seu lugar no mercado e mostrando competência em sua forma de atuação.     Mostrando que não há “serviço de homem”, não há trabalho em que a mulher não tenha condições de fazer. As pessoas devem ser escolhidas para ocupar vagas de trabalho por suas competências, aptidão e habilidades, e não por seu gênero, aparência ou idade.

    Ainda há muito que ser feito por um mundo igualitário, em que o sexo não limite o que a pessoa tem que ser e fazer, mas essas mudanças são gradativas e estão acontecendo cada vez mais. Entre todas essas mudanças, a primeira que deve acontecer é a interior. A mulher não pode se ver em posições inferiores ou se sentir incapaz de algo por que alguém a limitou. Se isso acontece, deve ser transformado em força interior, para quebrar esses padrões e servir de crescimento pessoal.

    E são essas heroínas anônimas que tem um potencial enorme de transformar as dificuldades em força interior. Conheço muitas heroínas anônimas, uma delas em especial, uma mulher “normal” dentre muitas mulheres “normais” que passam por nosso dia-a-dia, mas que deixam uma marca por sua coragem e determinação em alcançar seus objetivos. O nome dela é Helena Luísa de Carvalho, que conheci como estagiária na Sabesp e me surpreendeu por sua força de vontade em alcançar seus objetivos, um deles, se formar numa área culturalmente masculina, a Engenharia Civil.

    Para Helena, ser mulher nunca foi algo que a limitou ou desanimou, pelo contrário, sempre a deu forças para mostrar para si e para o mundo, que era capaz e que conseguiria o que almejasse. Helena veio morar em São Paulo aos 17 anos para estudar com uma bolsa integral na Universidade Paulista no curso de Engenharia Civil. Sempre ouviu que foi uma surpresa ter conseguido passar na faculdade e que teve muita sorte.

    Quando resolveu fazer estágio, sabia que sua maior chance seria prestar um concurso, pois como não tinha experiência e não tinha nenhum contato, nem familiar em São Paulo, seria bem mais difícil conseguir por meio de seu currículo. Assim que apareceu o primeiro concurso para estágio, na Sabesp, resolveu prestar. Naquela época, seus pais estavam com dificuldades financeiras, mas mesmo assim a ajudaram com a inscrição, e ela então se dedicou, estudando tudo o que podia para conseguir a vaga de estágio.

    Saiu o resultado e ela conseguiu, mais uma grande conquista e mais um “Eu achei que você não conseguiria, que sorte!”. De início ela não entendia por que tanta descrença nela, sendo que ela sempre se dedicou, desde pequena, no que queria para a vida. Hoje, Helena entende que quem a julgou incapaz de alguma coisa não o fez por mal, pois as gerações passadas cresceram com pensamentos assim e realmente acham que o sucesso de uma mulher numa área masculina é sorte, acham isso certo, até que provem o contrário.

    Como desistir nunca fez parte de seu vocabulário, Helena, como muitas heroínas anônimas, transformou isso em estimulo para poder ir o mais longe possível.

    Helena se formou em Engenharia Civil com a melhor média registrada na história da Universidade (num curso até pouco tempo com predominância masculina) e foi homenageada por tal feito em sua colação de grau. “Quando eu recebi a homenagem tive a certeza de que eu estava no caminho certo e que nada me impediria de crescer. Nesse mesmo dia eu ouvi: “nunca esperei que fosse você a homenageada”, mas não foi uma frase que me afetou tanto quanto as outras, por que eu não estava fazendo aquilo para ninguém, estava fazendo para mim mesma, para minha realização pessoal”, relata Helena.

    Hoje em dia, enxergamos muita perspectiva para o futuro das mulheres na tecnologia e engenharia, afinal ser mulher é ser forte e onde há vontade, há um caminho cujo destino é o sucesso.

 

Fonte: 

(1) https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/zygmunt-bauman-o-pensamento-do-sociologo-da-modernidade-liquida.htm

 

Ana Paula Pereira da Silveira 

Nascida no ano de 1986, na cidade de São Paulo - SP. Formada em Biologia, pela Fundação Santo André (2007) e Tecnóloga em Hidráulica e Saneamento Ambiental, pela FATEC-SP - Faculdade de Tecnologia de São Paulo  (2012). Mestre em Tecnologias Ambientais pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (2012). Doutoranda do programa de Energia da Universidade federal do ABC. Coautora do livro Ciclo Ambiental da Água (2012). Coautora do livro Dessalinização de Águas (2015). Foi auxiliar docente no Laboratório de Saneamento Ambiental e Química (LABSAN – FATEC-SP), com atuação em análises de água e esgoto. Foi professora assistente (2013 – 2015) das disciplinas: Introdução à Hidráulica e ao Saneamento Ambiental da FATEC-SP, Construção de Sistemas de Drenagem Urbana, Biologia Sanitária. Atuou como docente da disciplina Hidráulica, hidrologia e monitoramento, do curso de Especialização em Gestão de Recursos Hídricos Do Senac Jabaquara (2015) e atualmente é tecnóloga da SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo atuando na área de responsabilidade Socioambiental e desenvolvimento de fornecedores e é docente titular da área de hidráulica e saneamento do curso de Engenharia Civil da Universidade Cidade de São Paulo - UNICID. Faz parte do Grupo de Pesquisas sobre Dessalinização de águas salobras e salinas da FATEC-SP.

 

Helena Luísa de Carvalho

Nascida na cidade de Caxambu-MG em 1995, reside em São Paulo- SP desde 2013. Formada em Engenharia Civil pela Universidade Paulista-UNIP (2017). Foi monitora da disciplina de Cálculo com Função de Várias Variáveis (2014-2016) da UNIP. Teve participação voluntária no Programa “Habitat na Comunidade” e no Projeto “Somos Todos Vizinhos” (2014) em reformas de casas populares na comunidade de Heliópolis pela organização global não governamental Habitat para Humanidade. Participou como ouvinte das aulas do programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UNIP (2014). Acompanhou obras e concluiu o curso de fundações pela empresa Geofix Fundações. Trabalhou como estagiária de engenharia (2015-2017) na SABESP- Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Atualmente trabalha como Trainee na empresa ENORSUL Serviços em Saneamento LTDA.

Fonte:

www.tecnologo.org.br/noticias_pagina.php?id=131

 

 

        "A vida passa e com ela percebemos o valor do tempo, a dezoito anos atrás vim morar em Caxambu, nesta época um grande amigo apresentou-me parte de sua família, entre eles, uma menina meiga, tímida e com brilho intenso no olhar, um olhar que mostrava que Caxambu não teria fronteiras para seus sonhos.

        O serviço do cotidiano toma o tempo da gente, e aquela menina cresceu.

        Eu sempre ouvia seu tio falando com orgulho da menina adolescente e seus sonhos, até o dia que ele alegremente falou que sua sobrinha iria morar em São Paulo para estudar na  UNIP - Universidade Paulista.

        Longe da família, amigos, do conforto e segurança de uma cidade pequena, sabia que aquela jovem teria que encontrar coragem e força para superar as saudades. Mas o brilho naquele olhar que no passado eu vi, não me deixava dúvidas que nada seria empecilho para o futuro daquela jovem.

        Hoje descobri que estava certo, pois a jovem é o orgulho da família, dos amigos e de uma cidade inteira, o verdadeiro sinônimo da força feminina, por isso parabenizo todas as mulheres através da crônica dessa pequena menina que o tempo a fez uma grande mulher conhecida por  Helena Luísa de Carvalho, crônica feita em parceria com sua amiga Ana Paula Pereira da Silveira.

        Parabéns a todas mulheres e as jovens Helena Luísa de Carvalho e Ana Paula Pereira da Silveira."

 

Leandro Campos Alves

Março de 2018

 

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