Alceu Wamosy.

Alceu Wamosy.

Duas Almas


Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada....

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...


(Alceu Wamosy – 14.02 .1895 a 13.09.1923 -, em “Flâmulas”)




Curiosidade:

         

 

  O atestado de óbito menciona um “colapso cardíaco consecutivo à pericardite com derrame”. O vocabulário técnico, frio, hermético, oculta a poesia e a paixão política que marcaram a vida de Alceu Wamosy, o poeta soldado. E esquece de citar a bala maragata que em 3 de setembro de 1923, durante o combate de Poncho Verde (Dom Pedrito), atravessou o pulmão do poeta, acarretando sua morte, dez dias depois. Antes de morrer, Wamosy ainda teria tempo de se casar com a noiva Maria Bellaguarda, em um episódio que confere uma certa cor romântica à sua biografia.

Biografia Alceu Wamosy

        Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara, e de Maria de Freitas, foi poeta simbolista. Publica seu primeiro livro Flâmulas, poemas, em 1913, quando já escreve para o jornal A Cidade, fundado por seu pai em Alegrete, Rio Grande do Sul.

        Adquire em 1917 o jornal O Republicano, no qual permanece até a morte. No ano de publicação do seu Coroa de Sonhos, no qual enfeixa sua única contribuição relevante à nossa literatura ("Duas Almas"), envolve-se ardentemente na Revolução de 1923, sendo ferido a bala e vindo a falecer em um "hospital de sangue" na companhia da mãe e da esposa, com a qual esposa casa-se in extremis.

        É Patrono da Cadeira N.° 40 da Academia Rio-Grandense de Letras; aclamado patrono da Feira do Livro de Porto Alegre de 1967.

 

 

Biografia fonte: Wikipédia

 

Todos os direitos são reservados ao autor conforme artigo (Lei 9610/98).

 

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