31º Concurso Internacional de poesias, Contos e Crônicas.

31º Concurso Internacional de poesias, Contos e Crônicas.

    Três trabalhos avaliados e três classificações em Destaque, em três categorias distintas.

    A Deus dou graças, aos amigos e familiares meu abraço fraterno, a ALPAS21 minha gratidão.

    31º Concurso Internacional de poesias, Contos e Crônicas – Academia Internacional da Artes, Letras e Ciências, ALPAS21 – Cruz Alta RS.

    Conheçam as obras premiadas, fechando 2019.

 

 

Ladrão de Sonhos.

 

    Não me lembro o ano que aconteceu, mas lembro perfeitamente que era época de Natal e que eu devia ter meus oito ou nove anos de idade.  Idade de sonhos e ilusões, de acreditar no mundo e nas história impossíveis.

    Nesta época em questão, lembro-me bem que era véspera de natal, e que todos meus amigos contavam que deixavam na véspera do dia vinte e cinco de dezembro uma meia pendurada próximo a árvore de natal, ou na janela de quarto que dormiam para que o Papai Noel pusesse o presente dentro dela.

    Muitos adultos também me falaram esta mesma história, a história que somente as crianças que eram obedientes e respeitavam seus pais durante o ano inteiro, ganhavam do Papai Noel um presente no dia de Natal, era só por uma meia na janela acompanhado com um bilhete avisando ao Papai Noel o que gostaria de ganhar.

    Nossa situação econômica não era muito boa na época, lembro de algumas dificuldades e de presenciar algumas conversas entre meus pais pelos cantos da casa, falando da falta de dinheiro.

    Mas criança sempre é criança, e sonhos... São sempre são sonhos.

    Embriagados pela atmosfera natalina, eu não tinha dúvida que o Papai Noel não negaria meu pedido, e me daria um presente, pois o que eu mais sonhava era com uma bola de futebol, não importava o material que era feito, eu apenas queria um bola para brincar com os amigos de futebol ao cair da tarde em nossa rua.

    O dia vinte quatro de Dezembro chegou, e com ele aumentavam a minha alegria e entusiasmos, tinha certeza que ganharia do bom velhinho meu presente tão esperado.

    Pus minha melhor meia pendurada à beira da janela, e brigando com o sono eu esperava o Papai Noel entrar em meu quarto, as horas passavam e nada de ver o bom velhinho.

    Com o entrar da madrugada fui vencido pela noite e caí no sono, afinal, eu ainda era uma criança cheia de grandes sonhos e com o sono ainda maior.

    Não consegui ver a chegada do meu querido Papai Noel.

    Nos primeiros raios do sol acordei ansioso e louco para ver meu presente, pois tinha posto minha melhor meia pendurada na janela, havia deixado meu bilhete pedindo ao bom velhinho meu presente, tudo conforme me falaram.

    Além disso!  Eu tinha certeza que durante aquele ano eu não fui um filho ruim, então o presente certamente eu receberia.

    Ofegante como nunca, pulei da cama correndo em direção a janela para pegar minha bola de futebol, mas minha euforia se transformou em silêncio, meu sorriso em choro, minha felicidade em desilusão.

    Parado, estático, sem respirar e pensativo ali fiquei por horas, acho eu...

    Com o passar das horas intacto no meu lugar, ouvi os primeiros movimentos da casa. Meus pais e meus irmãos acordaram, e com eles a minha vida começou perder o sentido, os sonhos a virarem pesadelo.

    Logo senti o calor materno e por atrás de mim com um longo abraço, ouvi sua voz me perguntando o porquê do meu silêncio?

    Mãe é sensitiva, logo ela observou que meu silêncio era de desilusão, meus olhos vermelhos lagrimejavam o sentimento de minha alma.

    Por algum instante eu não ouvia a indagação de minha mãe, mesmo ela repedindo por várias vezes, ali eu fiquei em meu mundinho de criança, quieto. Isolado. Solitário.

    Foi quando ela me sacudiu e perguntou novamente.

    “__Filho, por que você está em silêncio? Por que estas lágrimas em seu rosto?”

    Ao ouvir sua pergunta acordei de meu estado de desilusão, o que era silêncio se transformou e choro profundo, a dor da alma pura de uma criança se transformou em choro e desilusão; e a desilusão? Em realidade.

    Naquele momento comecei a contar minha história.

    “__ Mãe, meu choro é por que Papai Noel está bravo comigo.

    __ Eu acho que sempre fui um bom menino e filho, rezo todas as noites pro meu Anjo da Guarda, e por que Papai Noel esqueceu de meu presente?

    __Eu só queria um bola para jogar com meus amigos.”

    Minha mãe coma alma partida, viu minha tristeza e minha pequena meia pendurada na janela, com a voz meio tremula parecendo segurar o choro ela falou:

    “__Não filho, você não é ruim, o Papai Noel gosta muito de você, mas o que aconteceu foi por minha culpa.

    __Veja...

    __Eu esqueci de costurar sua meia, provavelmente o Papai Noel pôs o seu presente na meia, mas o ladrão de presentes passou aqui e roubou o seu presente através do furo.”

    Naquela noite alguma coisa em minha vida de criança aconteceu.

    Pois perdi a inocência ao sentir a dor no coração de minha mãe, ao ouvir ela tentando dar aquelas explicações, meu mundo de ilusões foi se desfazendo.

    Descobri então que Papai Noel não existia, e o real motivo de não ganhar nenhum presente, era a dificuldade financeira que passávamos naquela época.

    Minha tristeza por achar que não merecia o presente do Papai Noel, por ser um mal menino transformou-se, pois descobri a crueldade de um mundo chamado necessidades.

                O ladrão de presente, não roubou somente meu presente, roubou minha inocência, minha felicidade, meus sonhos.

    E o Natal?

    Perdeu seu brilho, junto a minha inocência.

    Conto: Ladrão de sonhos.

Autor: Leandro Campos Alves.

Caxambu MG

leandrocalves@hotmail.com

 

 

Pessoas.

 

Tem gente que se acha grande.

Tem gente que se acha justo.

Tem gente que se acha gente.

 

Mas nem toda grandeza traz segurança,

nem toda justiça é perfeita,

nem todo achar nos faz ser gente.

 

A vida é feita de atos.

A gente é feito pelo amor,

e o amor...

É feito de respeito.

 

A grandeza é ilusória.

A justiça só a divina.

E a história?

É o reconhecimento de quem foi gente.

 

Poema:  Pessoas

Leandro Campos Alves

Caxambu MG

leandrocalves@hotmail.com

O homem do campo perdeu o encanto.

 

    Hoje a roça está triste, não vejo mais a alegria em seu entardecer.

    O cabo da enxada perdeu espaço para a capina química, a junta de boi para o arado mecânico, e a ordenha então?  Nem tem comparação, aquele contato quente e apaixonante do homem ordenhando o animal, perdeu o encanto, pois a ordenha mecânica trouxe a frieza do capitalismo para as tetas da vaca.

    O entardecer perdeu o encanto e trouxe a tristeza, pois não ouvimos mais a algazarra dos pássaros ao cair da noite, muitos pássaros morrem no contato de remédios químicos que cuidam da saúde animal e das plantações.

    O mesmo cair da noite trouxe a frieza na ausência da fumaça da chaminé, sinal de boa conversa ao redor do fogão a lenha, sinal de família inteira reunida e amigos proseando.

    Hoje a chapa de ferro encontra-se gelada. O fogão já não tem o cheiro e barulho da madeira em combustão, a cozinha não tem o cheiro do bom feijão caipira, com a couve refogada na banha de porco e o torresmo fritando em repouso na chapa negra e quente.

    O homem do campo perdeu o encanto, com ele a minha alegria rural foi sepultada, perdi o exemplo de vida no aconchego do calor humano da roça.

    Hoje as máquinas tomaram o campo, pequenas e grandes extensões de terras viraram empresas capitalistas que derrubam o que, ou, quem que se impõem em sua frente, tudo em nome do orgulho.

    Valores perderam o sentido, pelo qual família inteira se dedicavam uns aos outros, e todos em prol à cultura caipira, na labuta sofrida, mas humanitária, onde todos amavam todos, e a irmandade era sagrada.

    Valores se perderam por este mundo moderno, que o homem do campo não é mais do campo, e sim, da cidade que vai ao campo como impostores, que sugam do seio da terra o orgulho de se mostrarem bem sucedidos, sem fazerem questão de deixarem os animais em pequenos espaços, como bibelôs que só servem para retirarem a seiva da vida.

    A roça já não tem a capina de compadres, a correria das crianças, a imparcialidade da família.

    O homem do campo perdeu o encanto, e com ele levou o meu orgulho por ter a origem caipira.

 

Crônica: O homem do campo perdeu o encanto.

Autor: Leandro Campos Alves

Caxambu – MG

leandrocalves@hotmail.com

 

 

 

Prêmios, artigos e homenagens.

Finalista Nacional.

Finalista Nacional da Antologia “Agora Eu Sou - Contos e Crônicas da Superação", organizada pelo Engenho das Palavras, com o conto “A vida do João”. João o menino que não sabia falar e nem escrever, que passou toda a vida trocando as letras, está vai viajando e ganhando seu espaço no mundo...

31º Concurso Internacional de poesias, Contos e Crônicas.

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Votos de Congratulações ao ilustre Acadêmico Escritor Leandro Campos Alves

Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes. Entidade Mantenedora: Associação Cultural de Ciências, Letras e Artes. Registro de Pessoa Jurídicas nº 16.962 Livro A-34 do Cartório do 8º Oficio da Cidade de Nova Iguaçu- RJ   Rio De Janeiro, RJ; 28 de Setembro de...

100 Maiores Poetas Lusófonos Contemporâneos

    Um dia foi um sonho, hoje, vivo a Gratidão em sonhar acordado pelo reconhecimento de meus trabalhos.     A coletânea é uma seleção de grandes nomes da Lusofonia, já conhecia a fama de alguns que aqui estão, porém nunca imaginei estar entre eles, e tê-los em meu...

Prêmio Melhores do ano 2019

    A Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas, representada nesse ato por sua presidente Izabelle Valladares e seu vice-presidente Carlos Coutor, concedem a Leandro Campos Alves, O troféu Monteiro Lobato por excelência em sua contribuição cultural ao panorama...
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