Trem de Minas.

Trem de Minas.

Lembro-me daquele tempo,

que era uma criança.

E minha mãe pelas mãos me conduzia,

para ir visitar a minha outra tia,

que também se chamava Maria.

 

Primeiro trajeto da viagem era feito,

numa estradinha cheia de curvas,

e nos assentos de uma perua,

cada passageiro ajeitava-se ao seu jeito.

 

A perua desviava dos buracos,

que haviam em seu leito.

E no verão?

Ela desviava dos seus atoleiros,

também desviava dos andantes,

dos cavalos e seus cavaleiros.

 

A lotação era um veículo,

que pela sua conservação,

não parecia tão antigo.

Vinte anos ou mais ele tinha,

essa idade é verdade,

pois ainda vos digo,

que ele partia de Liberdade.

 

Ao lado da janela aberta da Kombi,

ali eu sentava,

e ficava admirando as paisagens e a brisa,

cheio de ansiedade,

para logo chegar à outra cidade.

A emoção aumentava,

quanto mais perto da estação eu chegava.

 

Pipocas e sucos,

na estação eram vendidos.

Também embutidos,

como lanches e bebidas,

até mesmo alguns comprimidos.

 

Toda mercadoria era bem organizada,

nas prateleiras daquela pequena mercearia,

isso eu guardo na memória,

como no conto desta história.

 

Ao longe ouço o anuncio esperado.

O apito sonoro,

que me deixava arrepiado.

Avisando a chegada,

do trem na estação,

para sua primeira parada.

 

A serpente de aço,

eu via ansioso,

para embarcar

dentro de seu torso.

 

A saudade do tempo,

que passou ao meu lado,

deixando seu gosto,

que hoje saudoso,

guardo na lembrança,

todo aquele meu tempo de criança.

 

Com pequenos passos,

eu caminhava no corredor do vagão,

à procura da melhor acomodação.

 

Minha mãe deixava-me sentado,

à beira da janela,

numa poltrona ao seu lado.

 

O galeio do trem aos trilhos,

zunia seu barulho.

Em pequenos solavancos,

a partida iniciava,

e o trem andando manso,

seguia seu trajeto.

Parando em pequenas estações,

para outros embarcarem,

nesta viagem de emoções.

 

Eram sitiantes e vendedores,

pessoas comuns e anônimas,

mas que tinham naquela condução,

verdadeira paixão.

 

Ah! Saudoso tempo,

que bem me lembro!

 

Pestana, Bananal e Falcão,

todas estas eram algumas das estações,

que recebiam seus visitantes,

com carinho e respeito,

colhendo-nos ao seio de seu peito.

 

Ah! Tempo que me lembro!

As pontes de aço,

que sobre o rio passavam,

deixava admirado,

ao ver aquela arquitetura,

que até hoje ainda não há ruptura.

 

Após algumas horas,

o apito novamente zunia.

Avisando que o final daquele passeio chegava,

pois já próximo da cidade de minha tia eu estava.

 

Ah! Tempo saudoso,

daquele bruto trem,

que era muito amoroso!

Pois em Barra Mansa nos levava,

enquanto minha mãe curtia a viagem,

e comigo não se preocupava,

porque sabia que na última estação o trem chegava.

Ao desembarque minha tia esperava,

com sorriso no rosto,

de alguém que nos amava.

 

Ah! Trem das serras de minas,

que unia os estados,

e trazia o progresso,

a um povo sofrido,

mas também muito amigo.

 

Ah! Trem saudoso,

de um tempo,

que o próprio progresso,

enterrou na lápide,

de nossas lembranças,

aquele tempo de nossa infância.

 

Ah! Trem mineiro,

carioca e paulista,

que levava consigo pessoas da terra,

mas que nos tempos de guerra,

levava soldados feridos e ativos,

para as frontes de batalhas,

nas divisas dos estados,

que se passava por mais este ato.

Defendendo nossas fronteiras,

nas montanhas dentro do mato.

 

Ah! Lembrança alçada,

daquele tempo de criança,

que o tempo e o progresso trouxeram o fim,

de nosso trenzinho de ferro,

e daqueles trilhos de Pestana,

que nunca zombaram de mim.

 

Trouxe também junto ao seu fim,

a distância como grande obstáculo,

da união entre os povos,

de culturas diferentes,

mas que estão normalmente,

ancorado nas lembranças do passado,

aquele tempo muito amado.

Entrelaçando Livramento,

na baixada sul fluminense.

Pela qual deixo aqui o meu lamento,

da perda do meu trenzinho,

que ainda menino,

órfão dele ficamos.

Mas em versos lembraremos,

dos momentos que tivemos.

 

Deixo a vocês o meu erudito em versos,

de meu saudoso trenzinho,

expressando aqui por ele,

todo meu carinho.

Ah! Meu saudoso trenzinho!

 

Trêm de Minas.

Leandro Campos Alves.

Livro Memórias.

Foto ilustrativa - site Munícipio Carlos Barbosa RS.

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