Polêmica sobre fim do Ministério da Cultura.

Polêmica sobre fim do Ministério da Cultura.

           No ato administrativo de reter os gastos do País, o presidente Michel Temer teve a coragem de cortar gastos na própria carne, e fez surgir um dilema que tem dois lados e dois pesos.

        O fim do Ministério da Cultura.

        Não basta-nos opinar, vamos ver primeiro o que é a lei Rouanet e suas funções em: www.escritor-leandro-campos-alves.com/products/ministerio-da-cultura-lei-rouanet/

        Pesquisando fontes séria sobre o assunto me deparei com um artigo do site "sensoincomum" interessantíssimo, e nos comentários entre prós e contras um em especial me chamou muito a atenção, o autor se denomina pela abreviação do nome de " Lu Mo", mas suas palavras estão carregadas de conhecimento sobre o assunto.

        O Ministério em si é importante, porém o erro está nas obras aprovadas e financiadas por elas, não vi ainda na lista de projetos aprovados a oportunidade de incentivo a grandes talentos escondidos na imensidão de nosso País.

          Creio eu que estes projetos abaixo aprovados pelo ministério da cultura, como o exemplo da cena  “Macaquinhos Performance” para mim é um lixo explícito, e não é a cultura que realmente precisa ser difundida e apoiada em nosso País.  

        O Ministério certo com o foco errado. A Cultura é um direito de todos, brasileiros ricos, conhecidos e pequenos anônimos deste nosso País.

 

Texto e Critica:

Leandro Campos Alves.

Maio de 2016

Ministério da Cultura, Cultura de Ministério

Cultura vem do latim cultus, indicando a idéia de cultivo, de terra (como em “cultura de uvas”). Algo local, próprio de um determinado povo, mas cujo valor transcende fronteiras. A cultura da solicitude inglesa, da hospitalidade árabe, do ordenamento alemão, da oralidade judaica, do tradicionalismo japonês ou do jeitinho brasileiro são traduzidas em obras de arte, na língua, na literatura, em bens culturais de valor transcendente.

Nenhuma delas foi criada por um “ministério”. O máximo que estes podem fazer é patrocinar algum artista que possa transmitir tal cultura em sua arte. É a figura do mecenas, freqüente desde a Antigüidade – Mecenas era um conselheiro do imperador Augusto. Em diversos momentos da humanidade, várias figuras fizeram as vezes do mecenato, do financiamento de artistas, da burguesia aos tiranos.

E é onde reside o problema: nunca um financiador de arte irá cuidar da “cultura” de maneira geral e irrestrita, qualquer produção cultural, e sobretudo as de qualidade, conceito subjetivo por definição. Os liberais chamam isto de “conhecimento difuso”, que não está e não pode estar nunca em um único agente; não é, portanto, por birra ou cabeça-durice, mas por pessimismo que liberais desacreditam no Estado como melhor agente.

Se o Estado e os governantes que o controlam não irão patrocinar todas as artes, irão naturalmente tirar da livre competição do mercado e alçar à proteção da verba garantida aquelas com quais eles concordam. O Ministério da Cultura de Dilma Rousseff iria patrocinar um show de death metal ou de Chico Buarque? O Ministério da Cultura de José Sarney iria patrocinar um livro de Millôr Fernandes, que o chamava por Sir Ney, ou uma tradução para o caldeu de seu Maribondos de Fogo?

tomar no cu performanceA mera existência de um financiador com poder de monopólio implica uma forma de censura. Não se trata de proibição, mas de financiamento massivo a qualquer concorrente. Alguém pode ficar feliz com Lula e Dilma patrocinando livros de Chico Buarque, filmes de José de Abreu, peças de teatro de petistas enfiando o dedo no ás-de-copas de outros petistas. E se o próximo presidente for um “homofóbico” de direita, e estas pessoas, ao invés de buscar o financiamento difuso de empresas que concorrem entre si, dependerem da aprovação de seus acólitos para uma peça com beijo gay? Quer censura mais fácil do que esta, que é aplaudida pelos censurados?

Não à toa, de Nero a Adolf Hitler, a coisa mais comum do poder político é se cercar de artistas bajuladores (a grande diferença é que outrora eram talentosos, como o poeta Konstantin Simonov, protegido por Stalin, como conta Orlando Figes em Sussuros: A vida privada na Rússia de Stalin).

chinese-vaginal-calligraphy-6Se ao invés de financiarem projetos segundo seus interesses, permitindo que artistas em busca de recursos procurem empresas diversas (tecnologia semelhante à maravilha que é a Bolsa de Valores, que permite que pessoas inventivas sem dinheiro lucrem com endinheirados sem idéias empreendedoras), a produção cultural estiver no Estado tomando impostos, desestimulando empresas a financiar o que já financiam por obrigação (a Lei Rouanet e sua renúncia fiscal não permite, senão, uma renúncia de impostos, já por si obrigatórios), quem controla a produção cultural é quem controla o Estado. O resultado se vê ao nosso redor.

Somos o único país do mundo sem uma literatura que espelhe a realidade. Sem músicos de nota, senão aqueles que ignoram completamente a jogatina política. Nossa maior arte plástica hoje são os desenhinhos de Romero Britto. E os artistas, claro, são todos favoráveis ao partido no governo até há pouco. Sem ele, parece que morrerão de fome.

Para piorar, a arte estatal via Ministério da Cultura só pode, por natureza, copiar a produção artística vigente – não há como financiar um Homero, Mahler, Victor Hugo ou M. C. Escher se não se vê nenhum deles por aí. Só se pode financiar a bandinha emo, o axézeiro que toca na festa da filha do governador da Bahia, o grafiteiro preferido do Fernando Haddad, a peça de teatro com mérito de ter algum ator da Globo xingando o Bolsonaro e o capitalismo para ser hype.

Pior: tem a obrigação de financiar o pior deles, do contrário sua existência também é posta em xeque – por que “promoveria” a cultura, se fora das monarquias, tem apenas a opinião pública medindo tudo por quantidade de público, e não qualidade da obra, para servir de régua? Como estaria “promovendo” algo já promovido?

detonautasBasta ver os projetos mais bizarros aprovados pela Lei Rouanet, como elencou o site Spotniks: vai do DVD de MC Guimê (meio milhão) aos R$ 4 milhões para uma turnê de Luan Santana e R$ 1 milhão para turnê de Detonautas, além do imperdível Brizola: tempos de luta, com exposição (!) “Um brasileiro chamado Brizola”. Será que permitiriam uma contrária ao governo? Nossa cultura foi salva pelo ministério?

É muito bonitinho confundir a si próprio com a própria “cultura nacional” só por ter um trabalho economicamente improdutivo (nem fale de escrever na internet) e falar que, sem Ministério da Cultura, não haverá cultura. O fato é que não haverá mamata. Só isso. A cultura sempre respirou melhor com mecenas difusos e só denegriu com um partido que confunde a si próprio com o Estado, pedalada com justiça social, fazer cocô em público com manifestação, enfiar o dedo no oritimbó com performance, Tico Santa Cruz com música e por aí vai.

Perguntar para que serve o ministério da Cultura para os incultos que dele recebiam verba e obter 1% da profundidade acima é esperar que um ganso aprenda a rosnar enquanto chupa cana plantando bananeira. O que seria uma peça cultural de muito mais valor do que eles produzem.

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Fonte: http://sensoincomum.org/

Comentário de Lu Mo

 

 

 

 

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