Pescaria.

Pescaria.

                  Foto: jose-ferraz-de-almeida-jr-pescando-1894-64x85cmostcolpart

 

 

         Peço licença para contar um causo a vocês.

        Um causo real, que aconteceu comigo mesmo, imaginam?

        Mas antes quero defender as sogras do país, pois que fama ruim elas ¨pegaram¨, coitadas!...

        São pessoas maravilhosas que não merecem a fama que levam, e defendo-as por amor mesmo, pois sogra é uma pessoa amiga, amada, companheira e conselheira. Não tenho vergonha de declarar a minha paixão por elas.  Imaginem que amo de paixão a sogra de minha esposa.

        Mas falando em sogra vou contar o causo acontecido comigo.

        Dizem que existem pessoas aficionadas em pescarias, e isso eu “agaranto”, pois aqui em casa temos dois, ou para ser franco digo um, pois o outro passou do ponto de aficionado, para um fanático ele não serve.

        Os dois são:

        O meu sogro e meu menino mais velho.

        Imaginem que meu menino, quanto era “piquititinho” já era apaixonado por uma pescaria, se eu achasse na rua uma poça d’água, e arrumasse uma vara de pescar para ele, com certeza ele ficaria o dia inteiro tentando pescar algum peixe.

        Ah! Coitadinho!...

        Mas digo que ele ficaria sem nenhum problema na maior alegria e não se chatearia momento algum por estar pescando ali, em uma poça d’água sem peixe.

        Mas pesando bem... Ele arrumaria uma briga danada comigo sim, mas na hora de tirá-lo daquela pescaria.

        Para ver como são doidos pelo esporte da pescaria, mas só pelo esporte mesmo, pois nunca vi meu menino comer um peixe, ele não gosta.

        Isso porque meu filho era ainda novinho, agora imagina o fanatismo do meu sogro.

        Um dia aconteceu uma história engraçada aqui em casa.

        Havia três meses que não nos víamos, e ele veio nos visitar, chegando em nossa casa no cair da tarde de sexta-feira.

        Quando o carro parou em frente à nossa casa, minha sogra desceu toda alegrinha morrendo de saudades, cumprimentando a todos.  Meu sogro também todo alegre, assim que pôs os pés para fora do carro, falou:

        -- Vamos pescar?

        Meu menino pulou no colo dele e já queria entrar no carro para ir pescar, porém a noite já estava caindo e foi um custo tirar esta ideia da cabeça do menino.

        No sábado de manhã, logo que o sol raiou ouvi passos dentro de casa, mas como era sábado, resolvi dormir mais um pouquinho, e deixei para me levantar às oito horas.

        Assim que entrei na cozinha para tomar café, vi sobre a mesa uma tralha de pescaria, acreditam?

        Por algum motivo não fiquei surpreso. Meu menino veio todo alegrinho chamando para ir pescar com eles.

        Bem que gosto de pescar, mas em pleno sábado, logo ao amanhecer, e de certa forma eu já sabia que antes do anoitecer eles não sairiam da beira do rio.

        Pensei em não ir, porém vendo a felicidade no olhar de meu filho, não tive como negar.

        Os dias estavam frios, eram meados do inverno, eu tinha certeza que se fôssemos ao rio seria um tédio para mim. Pois não pegaríamos nada. Já que tínhamos que ir pescar, convidei meu sogro a ir num pesqueiro, assim o dia ficaria mais agradável.

        Aqui começa a história...

        Logo que chegamos ao pesqueiro, às nove da manhã, o local estava fechado.

        Meu sogro então saiu de fininho e logo voltou acompanhado por um jovem.

        Eu conheci o rapaz e não acreditei no que vi, pois meu sogro descobriu onde morava o dono do pesqueiro, e não perdeu tempo e foi acordá-lo.

        O rapaz com olhar vermelho e rosto inchado abriu o pesqueiro com alegria e muito cordial. Como eu tinha amizade com o rapaz, ele quis saber quem era o doido que havia o acordado, então eu apresentei meu sogro e ficamos ali na lanchonete conversando e passando o tempo, enquanto meu sogro e meu filho foram para a beira do lago.

        Começaram a chegar pessoas na lanchonete, mas ninguém estava com intuito de pescar, eu fui até a lagoa, mas como estava ruim para pescaria, retornei à lanchonete e logo em meu rastro veio meu sogro indagando ao dono do pesqueiro se na lagoa teria realmente peixe.

        A resposta foi positiva:

        __ Tem sim, mas ainda está meio cedo, e neste horário no frio, eles demoram mesmo um pouquinho para começar a puxar.

        Imaginem falar isso para meu sogro, de pescaria ele sabe tudo.

        Na hora do almoço, eu fui para casa almoçar, mas meu menino e meu sogro preferiram ficar pescando e comer qualquer coisa no pesqueiro.

        Já que está ruim mesmo, eu esperei o cair da tardinha para voltar ao pesqueiro, assim eu pescava um pouquinho e logo voltaríamos para casa.

        Ao entrar no pesqueiro, achei estranho o movimento, o bar estava lotado, e ao redor da represa somente os dois pescadores.

        Fui até eles e proseamos um pouco, vi que realmente os peixes deveriam estar com frio mesmo, pois até aquele momento não havia nem puxado no anzol.

        Um senhor de meia idade passou por nós com sua vara na mão, e andando ao redor da represa tentava também pescar algum peixe.

        Estava esfriando muito e chamei o sogro e o meu menino para irmos embora, porém meu sogro falou que queria ficar só mais um pouco, pois a hora de pescar era ao cair da tarde.

        Voltei à lanchonete e continuei a conversa agradável com o dono do estabelecimento. Do local  em que eu estava, eu tinha uma visão privilegiada do local da pesca, pois imaginem que a lagoa tinha uns cem metros de largura e mais ou menos uma légua de comprimento.

        Logo a noite veio e com ela os dois pescadores se juntaram a nós, meu menino com olhar brilhante de alegria, e meu sogro reclamando um “bocado”.

        Ele chegou falando ao dono do pesqueiro:

        ___ Rapaz eu acho que os peixes foram dar um passeio, pois durante todo dia nem puxar no anzol eles puxaram. Tem certeza que aí tem peixe?

        ___Lógico. Respondeu o meu amigo com certo ar de zombeteiro.

         Meu sogro não ficou muito contende com a resposta e retrucou que apostava que não tinha peixe na lagoa, deveriam estar todos mortos com o frio.

        Meu amigo afirmou:

        ___ Peço para o senhor não me chamar de mentiroso, pois isso eu não sou. Ontem mesmo nós fizemos a despesca do local, e tenho certeza que após passar a rede na lagoa, eu mesmo soltei uma tilápia nela, e o senhor não a pescou por falta de sorte.

        Meu sogro fechou a cara e depois começou a rir, acho que ele queria na realidade era dar uns pescoções no dono do pesqueiro, imaginem afirmar ter peixe numa lagoa daquele tamanho e afirmar que tinha uma tilápia apenas!...

        Começamos a rir.

        Como eu conhecia o dono do pesqueiro e vi sua alegria a abrir o estabelecimento pela manhã, eu tinha ter percebido que havia algo de errado, ele fez de propósito aquela pegadinha, no final começamos a rir.

        Bem feito ao meu sogro e para nós, quem mandou acordar um jovem trabalhador naquele horário.

        Na volta para casa, já eram entorno de oito horas da noite, começamos a rir.

        Um peixe era o cardume total da represa...

        Se precisarem de um pescador podem procurar outros, lembram que eles não servem.

        Até hoje uma lagoa, represa, rio, ou qualquer lugar que possa ter peixe, se torna uma área de lazer pesqueira, não importa se têm milhões de peixe, ou apenas um peixinho solitário, este é o verdadeiro sentido da pescaria e dos amantes dela.

 

Obrigado aos meus amigos leitores pela visita, e fiquem com Deus.

Leandro Campos Alves

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