Fundação do Time Ferrugem.

Fundação do Time Ferrugem.

        Vamos falar um pouco da história de Liberdade MG.

        Natural de Liberdade, até meus vinte e dois anos residi na cidade e neste período fui eletricista, trabalhei como servente de pedreiro, mas meu primeiro emprego com carteira assinada foi em uma empreiteira da Telemig e depois na Telemig antes da privatização.  Neste meio tempo lecionei como professor de Matemática e Economia para o curso de Contabilidade na Escola Professor Frei José Wulff no ensino para maiores.

        Envolvido pelo amor à cidade e por estar no meio político do município, naquela época eu já participava de alguns movimentos culturais as quais passo a contar agora.

        Começarei pelo time de futebol, que mais sofreu gols no campeonato municipal o “Ferrugem Esporte Clube”; eu estive ligado à sua história desde a sua fundação. Tudo aconteceu não foi por acaso ou com a intenção de títulos.

        Naquela época eu estava aproximadamente com doze ou treze anos e sempre ficava no rastro de meu irmão Dehon.   Costumávamos jogar bola na antiga rua Cônego Arimatéia, a famosa pelada de fim de tarde, mas como meu irmão já era mais velho, ele começou a ir treinar com o senhor Juquita, pai do professor José Alves.

        Fiquei morrendo de raiva em perder um companheiro de pelada, mas também por não poder treinar com ele, pois só eram aceitos adolescentes acima de quatorze anos.

        Mas o treino não durou muito tempo para meu irmão, até então não tinha ideia do porquê dele ter parado de jogar no campo.

        Dias mais tarde descobri o mistério ao entrar no meio de uma conversa dele com seus amigos da mesma idade.  Foi naquele momento que fui tomado por um acesso de risos ao ouvir que não foi só ele que tinha parado de treinar, mas muitos de seus amigos da mesma idade.

 

        Motivo...

 

        Este foi meu acesso de risos, pois eles descobriram que eram tão ruins de bola, que não teria time que os aceitassem.                Então entrei no meio da conversa e fui logo dando pitada, mas não havia meio que fizessem eles ouvirem minhas ideias, praticamente eu estava invisível no meio da roda deles.

        Resolvi ficar quietinho em meu canto, foi quando surgiu a ideia milagrosa que faria todos virarem craques, e serem titulares de suas posições no campeonato daquele ano.

        Se bem me lembro estávamos eu, Dehon Alves filho do senhor Miguel Alves e por sinal nosso primo por isso a coincidência do sobrenome, Dehon meu irmão, João Batista Carvalho – “João Caveira”, Edione Araújo da Fonseca, Giovani Romano, Sérgio Araújo Cuconato, o Zé Rosinha e alguns amigos mais que já não me lembro bem, afinal são mais de trinta anos.

        Neste dia descobrimos que só poderíamos jogar no campeonato se fôssemos dono do próprio time, então arrumamos dois jogos de camisa, compramos chuteiras e montamos o time, que foi composto a dedo. 

        Para começar a formar o time precisaríamos de um técnico a nossa altura, então logo surgiu o nome eleito por unanimidade. Nosso saudoso amigo Valdeci da Prefeitura, irmão do Marcão.

        Se me perguntarem se ele jogava bola, nunca vi, e se ele tinha noção de tática de futebol, afirmo: lógico que não, rsrs.

        Principal regra para pertencer ao time: ser ruim de bola, perna de pau mesmo, e para não passarmos vergonha só o goleiro tinha que saber jogar bola, e por sinal, muita bola para defender a chuva de boladas na direção do gol.

        Os primeiros goleiros do time foram: o Tio Russo e o Jonas Romano. Quando eles faltavam pegávamos um da linha e lá ia o coitado para o gol.

        Com tudo arrumado e o time inscrito no campeonato, chegou o dia do primeiro jogo, e como já esperávamos o jogador da linha foi para o gol e veio a nossa primeira goleada. Onze a zero contra nosso time, pois é: Perdemos.

        No jogo seguinte entramos na campo mais animados, pois dessa vez tínhamos goleiro, apareceram os dois, e como o Jonas Romano jogava também na linha, geralmente como cabeça de área, logo quebramos a regra e pedimos a ele para jogar na defesa.

        Foi um dos nosso melhores jogos, pois dessa vez foi só quatro a zero.

        Os jogos do Ferrugem viraram a alegria de nossos conterrâneos que iam no campo só para rir.  Nos dias em que jogávamos as arquibancadas ficavam cheias, mas não importávamos com as derrotas, o que importava era competir e correr atrás da redonda. 

        Teve um dia que vi entrando no jogo todos os nossos melhores atletas, o time estava completo. Por último entrou o Zé Rosinha transbordando de alegria, como sempre, mas eu sabia que toda alegria era por algum motivo e que ele estaria aprontando alguma, o Zé nunca me enganava.

        Após uns vinte minutos de jogo, lançaram da área uma bola para o Zé Rosinha que saiu em disparada atrás dela, mas na corrida dele percebemos que os defensores do outro time deixavam ele passar, foi quando notamos um rastro vermelho que parecia sangue no campo e percebemos que era obra do Zé.

        Preocupamos com o companheiro ao vê-lo cair na área sobre a bola, logo pensamos:

 

        Morreu...

 

        Imaginem a situação, numa tarde de alegria estava preste a se tornar um tarde de tristeza. Então corremos todos em direção ao Zé para ampará-lo, mas antes mesmo de tentar levantá-lo, ele ajoelhou-se no chão limpando a boca e rindo muito.

        Não estávamos entendendo nada.

        Se ele passou mal e deu vômito de sangue, por que a alegria?

        Ele então levantou e sorrindo ainda reclamou:

        __ “Droga... Joguei fora todo Campari que eu havia bebido antes do jogo no restaurante do Armando.”

        O restaurante do Armando como todos lembram, era do lado do posto de gasolina em frente ao campo de futebol, e a partir daquele dia combinamos que antes de entrar para jogar o Zé não beberia mais.

        Sim.

        Justo.

        Não beberia mais sozinho, pois quase todos os jogadores foram companheiros de nosso amigo e passaram a beber uma dose de qualquer bebida quente antes de entrar no jogo.

        E as alegrias não eram só estas, um jogo com o Ferrugem não era um jogo como outro qualquer, sempre tinha uma novidade.

        Um dia já estávamos cansados de levar gols e não fazer nenhum, quando a bola foi em direção a nossa defesa, e no meio da confusão, eis que a bola sumiu de repente. Enquanto os bandeirinhas, juiz e jogadores olhavam sem entender nada, o João Caveira apareceu dentro do gol adversário com bola e tudo, e o gol foi validado.

        O primeiro gol do Ferrugem foi muito festejado!!!

        Naquele campeonato perdemos todas as partidas e conseguimos fazer um gol, com duas peculiaridades.

     A primeira era que logo no vestiário, começamos a perguntar para o João como ele fez o gol sem que ninguém visse a bola. Acreditem se quiserem na resposta, mas muitos viram o gol e não viram a jogada, simplesmente por que no meio da bagunça na nossa área, João conseguiu pôr a bola dentro da camisa e sair correndo para o gol adversário sem ser notado, ele só soltou a bola praticamente dentro do gol.

        A segunda peculiaridade daquele campeonato, foi que eu acompanhei a história do surgimento do Time, porém eu era tão ruim de bola que na minha escalação era sempre como gandula.

        Anos depois do fim do Ferrugem, novamente lá estou eu no meio dos acontecimentos.

        Pois numa conversa entre eu, Rivelino, João Batista, Tobias, Elias Gutemberg, Paulinho do senhor João Braga, Rogério da Farmácia e o saudoso amigo Giovane Romano, novamente criamos outro time para podermos participar do campeonato municipal de Liberdade.

        Fundamos o Mantiqueira Esporte Clube. 

        No time tinha alguns bons de bola, dessa vez sabíamos que perderíamos muitas partidas, porém não queríamos derrotas com placares elásticos como no Ferrugem, e no Mantiqueira lá estava eu, mas dessa vez jogando na ponta direita.

 

        Jogando?

 

        Talvez correndo atrás da bola, pois fui descobrir que eu sempre fui muito bom mas na posição oficial de gandula. Rsrsr.

        Nestes dois times o nosso amigo Giovane Romano participou, mas não que ele era ruim de bola igual a nós, e sim, pela amizade que tínhamos, pois ele largou de jogar no LEC para jogar em nosso time.

        Ressalvo carinhosamente que o Giovane jogava muito.

        Ah! Eu já ia me esquecendo de falar, que quando todos os jogadores entravam em campo já meio ¨alegrinhos¨, eu era praticamente o único sóbrio, pois meu irmão não deixava eu tomar nada além de refrigerante.

        Esta crônica é um pouco de nossa história, e na próxima todos saberão como surgiu a ideia da fundação da rádio FM de Liberdade, e seus primeiros membros fundadores.

        Eu e alguns amigos que revelarei no próximo conto, fomos os sócios fundadores da Rádio que existe em Liberdade. Um sonho que tomou forma e propagou nas ondas da FM.

 

 

        “A crônica acima não é uma mera coincidência, pois são fatos reais com pessoas reais, que aconteceu na década de oitenta em Liberdade, Minas Gerais.”

 

 

 

Leandro Campos Alves.

Livro de poemas, contos e crônicas "Sonhos"

Clube de autores & Publique Saraiva 

2016.

 

 

 

 Todos direitos estão reservados a autor  conforme artigo (Lei 9610/98).

 

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